Evandro Borges

28/05/2021
 
A gasolina chegando a seis reais o litro no quadro de crise
 
Neste espaço concedido para um artigo por semana no portal do Potiguar Notícias, venho colocando e acompanhando a política de preços dos combustíveis, de forma recorrente. E posicionando de maneira clara em opinar que é contra os interesses nacionais, desde o governo de Temer, mesmo assim enveredou o atual governo de característica extremamente neoliberal pela mesma política.
 
Hoje os moradores de Natal encontraram na maioria dos postos de  combustíveis, gasolina com o preço de cinco reais e noventa e nove centavos praticamente seis reais, quando foi anunciado um dia sem pagamento de impostos, e alguns estabelecimentos com valores bem abaixo, formando filas de veículos para o abastecimento, mesmo em um clima de desobediência civil, para alertar aos brasileiros da escorchante e desigual carga tributária praticada.
 
  Por sua vez um quadro de assalariados no patamar do salário mínimo nacional de um mil e cem reais que não acompanha a inflação do período anual, confrontando dispositivo constitucional, sequer falar em ganhos reais, diminuindo o poder de compra, com os salários dos servidores públicos congelados até dezembro de 2021 e do setor privado com reajustes mínimos, colocando todos os segmentos dos assalariados no arrocho econômico, e para piorar o aumento dos produtos da cesta básica.
 
Ainda um contexto de desemprego estrutural e conjuntural, abalando a economia, diminuindo a renda, empurrando muitas famílias para o desespero da fome e da ausência de esperança e em circunstancias especiais da crise sanitária, com o aumento do contágio, nas paralisações das atividades econômicas, nos óbitos que vai infelicitando milhares de famílias brasileiras. De fato é um panorama assustador.
 
A política de preços dos combustíveis interessa aos investidores da bolsa, com o nervoso mercado de petróleo e seus derivados, com o aumento do dólar, da subida de preços de modo artificial pelos grandes produtores e distribuidores, pelo desmanche da Petrobras e das refinarias e compra até dos derivados, iniciando um processo de dependência em detrimento dos interesses nacionais, que mantém como principal modal de mobilidade o transporte terrestre por rodovias.
 
Os setores médios tem sentido o impacto desta política de preços para os combustíveis que está ficando proibitivos, na casa de seis reais o litro de gasolina, sem o governo sinalizar uma mudança concreta, que vai obrigar a muitos de optarem por outras modalidades de mobilidade, que são precárias, principalmente o serviço público de ônibus, pois na maioria das cidades brasileiras os trens urbanos são escassos.
 
No atual momento para não aprofundar a crise, tendo um mínimo de responsabilidade com os brasileiros, a mudança da política de preços de combustíveis, com a intervenção estatal se faz necessária. Nesta situação de crise não se pode deixar aos ventos do mercado para regular, pois a tendência é a subida de preços, mesmo com algumas pequenas quedas em alguns curtos momentos.