Bia Crispim

29/01/2021
 
ONG’s LGBTQIA+ potiguares – Uma história de lutas – parte 2
 
Na coluna desta semana darei continuidade às celebrações do Janeiro Lilás – Mês da Visibilidade Trans/Travesti – ainda escrevendo sobre as ONG’s que atuam na luta por direitos da população LGBTQIA+ no nosso estado.
 
Em detrimento às poucas ou quase nenhuma ações afirmativas ou políticas públicas por parte dos governantes e legisladores, as associações, os grupos, as ONG’s vêm desenvolvendo atividades essenciais e vitais para a comunidade LGBTQIA+, sobretudo para a população trans/travesti.
 
Não tenho espaço suficiente para elencar tudo o que tem sido feito por essas entidades, mas tentarei fazer um recorte do que vêm sendo realizado desde o ano passado quando se iniciou a pandemia. Sei que não contemplarei a todas (peço perdão por isso), porém o intuito aqui é dar visibilidade às ações que amparam, discutem, brigam e conquistam direitos para a população LGBTQIA+, principalmente àquelas que olham com mais atenção para a comunidade Trangênera.
 
Comecemos pela ATREVIDA/RN – Associação de Travestis Reencontrando a Vida, que durante a pandemia criou a Casa Brasil, espaço de acolhimento para pessoas trans/travestis. Sob o comando de Jacqueline Brazil, a casa, que vive de doações, conta hoje com o acolhimento somente de homens trans, por não ter estrutura para receber mulheres trans e travestis, devido à falta de recursos. Através de parcerias com o Governo do Estado, a Secretaria Municipal de Assistência Social de Natal, o Fórum LGBT Potiguar, Articulação HIV/Aids, Mesa Brasil e outros, a associação conseguiu arrecadar 4 mil toneladas de alimento para distribuição à população LGBTQIA+ que se encontrava e se encontra em situação de vulnerabilidade. 
 
Em parceria com os Ambulatórios TT  (municipal e estadual) e a SESAP, vem fazendo o acompanhamento dos tratamentos de hormonização de moradores da Casa Brasil. Fez ainda, em parceria com o ITEP/RN, um mutirão para confecção de carteiras de identidade com nome social, assim como o mutirão para a retificação de nome e gênero de pessoas trans/travestis que são amparadas pela associação.
 
Outra ONG que merece destaque é a Atransparência/RN – dirigida por Rebecka de França, que, assim como ações semelhantes às realizadas pela ATREVIDA/RN, vem interiorizando sua atuação, fomentando debates, discussões e realizando a formação de outros grupos de trans/travestis, no intuito de empoderar essa população. Durante esse mês, por exemplo, Atransparência/RN vem realizando a III Jornada pela Visibilidade Trans Potiguar, iniciada nesta segunda (25/01) em Natal, com a entrega do prêmio Viviane Sussuna a pessoas e entidades que, de alguma forma, contribuem com a luta contra a transfobia no estado.
 
Seguindo a programação, a entidade levou a jornada para Pau dos Ferros, Mossoró, Macau, Touros, Caiçara e São Bento, com a promessa de ampliá-la para outras regiões do RN. 
 
Não poderia deixar de falar da AHVA – Associação Homossexual do Vale do Assu, dirigida hoje por Eurian e Rebeka Lovanny e que já conta seus 17 anos de atividade. Durante esse mês, a AHVA criou a GATTA – Grupo de Afirmação das Travestis e Transexuais de Assu, para atender as demandas desse grupo de forma mais efetiva. A entidade está promovendo, ainda durante o Mês Lilás, dois Festivais Culturais em que pessoas trans/travestis cantoras, performers, circenses se apresentam via YouTube. 
 
Em parceria com a CDL e a Prefeitura de Assu, a associação ainda tem programas de inserção no mercado de trabalho das pessoas trans/travestis, atua nas políticas públicas, conquistando o direito de famílias LGBTQIA+ participarem dos programas de casas populares na cidade e disponibilizando assessoria jurídica também para essa população.
Felizmente, as ONG’s fazem o papel do Estado (Deixo aqui registrados minha gratidão e minha admiração). Infelizmente, o Estado ainda tem muito que aprender com as ONG’s. Torço para que o diálogo entre ONG’s e Estado se efetive em políticas públicas afirmativas que contribuam para o crescimento social em todos seus seguimentos. Digo TODES. 
Enfim... Apesar de muita coisa ter sido feita, ainda é pouco diante de tudo aquilo que foi retirado dessa população, principalmente as trans/travestis, no tocante a direitos e à cidadania.
 
Sigamos juntes... Sigamos unides... 
 
Nossa luta e nossa resistência afirma nossas existências!