Cefas Carvalho

20/01/2021
 
Fatos x narrativas
 
 
Há uns poucos anos criou-se em âmbito mundial o terno "pós-verdade". Na verdade um sinônimo de "mentira", mas que abrangia a complexidade das informações transmitidas em  tempos de internet e redes sociais.
 
A pós-verdade mais que uma mentira simples e seca, tratava-se de uma negação de um fato ou, em muitos casos, da narrativa construída sobre um fato, uma ideia ou qualquer coisa que o valha.
 
A construção de narrativas fez crescer as ideias absurdas do terraplanismo e da anti-vacinação em pleno século 21. E proporcionou também a ascensão ao poder de sociopatas negacionistas como Bolsonaro e Trump.
 
Mas, por vezes, fatos concretos de peso trazem os fatos e sua frieza implacável de volta ao cenário e as narrativas falsas perdem força.
 
Vimos isso duas vezes em poucos dias. Com o início da vacinação contra Covid-19 no Brasil e com a posse de Joe Biden como presidente dos EUA.
 
Com a vacinação, Bolsonaro, cujo governo menosprezou a doença, predicou remédios sem comprovação como a Cloroquina e se mostrou anti-vacina, teve de voltar atrás em sua narrativa quando viu que a vacinação em massa - e os efeitos benéficos disso - eram inevitáveis, reescreveu a narrativa e correu atrás da vacina.
 
Já quanto a Biden, tanto bolsonaristas como fascistas norte-americanos vaticinaram que hoje Trump apresentaria provas da fraude eleitoral e seria mantido presidente enquanto Biden iria preso. Nada disso aconteceu, sabemos. Biden tomou posse e quem tem chances reais de ver o sol nascer quadrado nos próximos meses, é Donald. 
 
Contudo, nos intramuros no bolsonarismo e da extrema direita americana que Trump arregimentou, as narrativas continuam sendo criadas, como camarões em cativeiro, às centenas, milhares.
 
Contudo, por esses dias, os fatos deram de goleada e stão se impondo. Celebremos.