Bia Crispim

01/01/2021
 
E 2020?! COMO FOI!?
 
Apesar da pandemia, do isolamento, das aulas remotas, do medo, das mortes, 2020 teve seu lado positivo para algumas pessoas. Não posso generalizar, é claro! Mas para mim e àqueles que me cercam vi coisas boas acontecerem. 
 
Comecei o ano me separando. Pois é!!! Depois de 18 anos e 6 meses de relacionamento, rompemos. “– E se separar é uma coisa boa?” – Talvez você me pergunte. Separar-se, às vezes, é necessário pra iniciarmos novos ciclos afetivos e de vida. E separada, tive a chance de mergulhar em mim... Fiz descobertas fantásticas...
 
Ainda no inicio do ano, tive a grata surpresa de ser convidada (através da indicação de Ana Paula Campos, poderosa!!!) para ser essa colunista que vos fala. O jornal Potiguar Notícias acolheu a coluna de uma professora seridoense, mulher trans, escritora (recém-consciente disso) e militante do movimento LGBTQIA+, EU!
 
Ganhar voz é um grande presente, sobretudo quando você é uma travesti nascida no Brasil, Nordeste, Seridó. (Acredito não ser necessário falar dos desafios que é SER).
Outra surpresa deliciosa foi receber a notícia de que teria um livro publicado pela editora potiguar CJA. Livro de contos fantásticos, em que realidade e fantasia, o real e o onírico se misturam nas histórias e personagens que crio há tempos, mas que só existiam nos cadernos, arquivos e algumas poucas aparições para meus amigos. (Meu primeiro filho será parido em breve).
 
Não posso deixar de falar das inúmeras lives que fiz, nas quais falamos de tudo: vida pessoal, militância, processo criativo, escrituras, literatura, feminismo/transfeminismo... 
Nem posso esquecer dos encontros virtuais do Mulherio das Letras Zila Mamede; das reuniões da “Teia, Arteiras Feministas” e os Saraus (ambos sob a coordenação da Professora Anne Damásio); das reuniões de discussão de textos teóricos com o Professor Samuel Anderson (PPGEL/UFRN) e meus colegas pesquisadores; das lives etílicas nas noites de sábado com velhos e novos amigos... Enfim, contatos necessários durante esse período de isolamento.
 
Aprendi a lidar com uma porrada de recursos tecnológicos para encarar as fatídicas aulas-remotas. Não me dei muito bem... Mas tentei. E qualquer aprendizado é aprendizado... Sou uma eterna aluna!
 
Por falar em ser aluna... Passei na seleção de doutorado no PPGEL/UFRN – Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem – na área de Literatura Comparada. (Minha paixão!) Presentão que 2020 me deu!
 
Ainda falando desse universo de ensino/aprendizagem, consegui criar, mesmo de maneira tímida e remota, junto com a equipe gestora da COOEPAR (a escola cooperativa em que trabalho em Parelhas) o Clube de Leitores “Bibliofagia” da COOEPAR – o qual, carinhosamente apelidamos de CLUBILECO. Um sonho antigo que acabou sendo desenvolvido nesse último bimestre. (Sementinha para 2021.)
 
Fiz cirurgia pra me livrar de duas hérnias que estavam me preocupando bastante e tudo correu como deveria. Ainda estou vivenciando um pós-cirúrgico bem dolorido... Mas, faz parte do processo. E no final das contas, ficarei sã para enfrentar 2021.
 
Ainda no campo da saúde, não peguei COVID-19 (Graças a Deus!), e ainda consegui resolver parte dos meus problemas alérgicos com um tratamento que foi extremamente eficaz. Pra quem me conhece de perto, sabe o quando eu sofro com minhas crises de rinossinusite. Elas se foram, ou, pelo menos, estão sobre controle...
 
Enfim... Parece que esse ano atípico me presenteou com algumas coisas boas e marcantes. Fechei alguns ciclos, iniciei outros e ainda me preparei (ou não) pra novos e desconhecidos capítulos dessa longa novela que é a vida.
 
Estou em um eterno estado de devir...
 
Finalizo essa coluna desejando um incrível ano a todas, todos e todes! Que 2021 nos reserve tantas surpresas agradáveis e vivências positivas quanto essas que ocorreram comigo. Que o destino nos presentei com conquistas, graças, amor, fé e esperança.
 
Feliz Ano Novo!