Evandro Borges

18/12/2020
 
Os posicionamentos que isolam o Brasil
 
A postura com questões fundamentais dentre elas ambientais, licenciamento de produtos denominados de agrotóxicos,  incluído defensivos, tratamento a comunidade tradicionais (indígenas e quilombolas),  saúde pública e pandemia do coronavírus de forma “negacionista”,  e relação de Estados através de amizades pessoais e de natureza ideológica vem isolando o Brasil, com consequências para a economia.
 
A vida humana está muito mais globalizada, não apenas em torno da produção econômica, mas, também, em torno de valores e do entendimento que no planeta tudo se relaciona e interagem, sem falar da dinâmica da comunicação social com rápida velocidade nas informações, notícias e opiniões. As descobertas científicas logo passam ser do conhecimento e do domínio público.
 
Uma conferência internacional que trata de meio ambiente, o Brasil não pode deixar de participar, ou sequer ser convidado em face do posicionamento de exclusão dos países participantes, quando um país continental, com florestas, fontes de água com potabilidade com maiores reservas no globo, produtor de alimentos, possuidor de uma biodiversidade conhecida amplamente, é para ser questionado, algo está muito errado.
 
Os incêndios e desmatamentos provocados nas matas e florestas, extinguindo a rica biodiversidade, e o pouco caso realizado pelo Governo Federal, sem apuração dos fatos, sem posturas ministeriais, ensejam questionamentos, provocando um rastilho de análises de eventos intencionais para atender os segmentos econômicos, em detrimento da segurança local e mundial, uma vez que, aos poucos se consolida a visão da casa comum em que a humanidade está inserida no planeta.
 
A atitude em relação ao combate a expansão ao coronavírus, com uma quantidade de óbitos que já avançou a casa de cento e oitenta mil pessoas, deixando vitimadas as famílias brasileiras, sem um plano de vacinação convincente e sem datas, ao ponto sermos superados por Chile e Equador nos seus planejamentos de vacinação da população no âmbito da América do Sul, consiste em um demérito para o tamanho do país em todas as dimensões, e principalmente para o presente e futuro do turismo.
 
O país vem liberando agrotóxicos nos últimos dois anos de forma célere, atendendo aos produtores do agronegócio, embora podendo afetar a qualidade da terra e dos mananciais de água, complicando o equilíbrio ambiental, e poderá afetar nas vendas para mercados exigentes, com poder de compra, que rejeitam produtos que provocam desequilíbrios, principalmente os ambientais.
 
Finalmente, as relações de Estado não se podem realizar por amizades pessoais, de alinhamento incondicional, por questões de natureza ideológicas como foi tratada recentemente com a posse do Presidente da Argentina e da eleição presidencial americana. O Brasil como extraordinário e histórico exportador de produtos primários, agrícolas e minerais, necessita de integração internacional de relações multilaterais.
 
A possibilidade de isolamento do país afetará a economia como um todo, aumentando a crise e os bolsões de pobreza e por via de consequência serão acentuadas as diferenças no fragilizado tecido social brasileiro,  com todos os problemas da pobreza extremada, uma delas a violência e suas consequências, com o crime organizado tentando capturar o Estado.