Wellington Duarte

12/12/2020
 
Brazil acanalhado: Sabotagem contra as vacinas, economia sem controle, abin trabalhando para Flávio Bolsonaro
 
Um conhecido me disse que nosso país deve ser um dos mais pecadores do mundo, já que Deus o abandonou à própria sorte quando elegeu um desqualificado para a presidir o país. Cristão católico, “de bem”, dito “libertário” e “liberal na economia e conservador nos costumes”, esse conhecido se diz estarrecido com o que acontece no país e que “não esperava que tudo isso acontecesse”.
 
Esse mesmo conhecido citou três notícias, apenas nessa semana, para ilustrar sua incredulidade: prática genocida ao sabotar as vacinas; incompetência completa ao deixar a economia afundar sem nenhuma ação; utilizar os arapongas do Planalto, a ABIN, para assessorar os advogados do Flavio Bolsonaro, no caso das “rachadinhas”.
 
Bolsonaro que sapateia no tumulo de mais de 180 mil brasileiros que sucumbiram à pandemia por absoluta irresponsabilidade do presidente, um mandrião que, apenas para ilustrar sua canalhice genocida, afirmou essa semana que a pandemia está no fim e chegou a autorizar o confisco das vacina, dedurado pelo ultrarreacionário governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e rapidamente desmentido pelo patético ministro da Saúde, Pazuello, cuja palavra hoje vale menos que um risco na água.
 
Por outro lado, a equipe econômica do governo, liderada por Guedes, um bufão ridículo que, apoiado pela mídia, destila desconhecimento e fanfarronice todos os dias, deixa o país à deriva sem nenhuma ação que tente minorar o caos econômico. Guedes parece se deliciar com sua própria burrice e o faz porque sua tara liberal, de transformar uma nação com mais de 210 milhões de habitantes, num balcão de negócios, vendendo tudo para o Capital internacional e deixando o país literalmente de cuecas na mão, sem nenhuma capacidade de voltar à condição de uma das maiores economias do mundo, é chamado de “liberalismo” pela elite predatória.
 
Finalmente, o estarrecido colega citou o caso da ABIN, a agência de arapongas e bisbilhoteiros estatais, cuja tarefa seria a de proteger o Estado brasileiro da espionagem internacional e dotar o Executivo de elementos para prover o mesmo de capacidade de atuar no campo da Informação, agora serve como assessoria dos advogados do senador Flávio Bolsonaro, para que os mesmos possam defender seu cliente miliciano das acusações que pesam sobre sua suja cabeça de criar um sistema conhecido como “rachadinhas”. É a utilização descarada de um órgão estatal para servir a uma família, caso muito próximo de uma máfia em ação.
 
O BraZil, de acordo com o colega, acanalhou-se. O presidente da República já cometeu tantos crimes de responsabilidade que se tivéssemos num país minimamente sério, estaria por trás das grades, junto com seus filhos milicianos. Ainda de acordo com o amigo, que votou em Bolsonaro “para tirar o PT do poder”, mesmo que o PT estivesse longe do poder desde março de 2016 e para “livrar o país de Lula”, cuja presidência terminara em 31 de dezembro de 2010 e que, naquele momento, estava preso em Curitiba.
 
Esse conhecido, que não posso nem mais chama-lo de colega, engoliu toda a trama montada desde 2005, primeiro pelo “mensalão do PT”, depois pela “Lava a Jato” e enfim pela crise econômica que levou a classe média, que recebera todo o carinho dos governos de coalizão de 2003 a 2015, se tornasse caixa de ressonância de tudo que á mais abjeto e imundo, saído do reacionarismo que infesta a humanidade.
 
Passados quase dois anos do governo das milícias, parece que o conhecido está retornando à realidade, mas não fiquemos animados, pois ele incorporou todos os ranços, ressentimentos e recalques do novo fascismo brasileiro. Ele quer o bolsonarismo sem Bolsonaro.