Emanuela Sousa

29/11/2020
 
O dilema em ser intenso e inseguro.
 
 
Eu gostaria de começar esse texto sem sentir a insegurança pulando sobre minhas veias. A fim de falar em terceira pessoa, em um tom mais leve, minha visão sobre esse assunto tão delicado. Acontece que, já faz alguns dias que tenho me questionado se o problema é comigo, se sou eu que estrago as coisas para deixar as pessoas irem embora de mim. 
 
Recém chegada de viagem, ainda com o tênis coberto por areia,  gastei  algumas folhas de rascunho com alguns pensamentos nada interessante sobre minha pessoa. Nestes papéis me vi, quase que martirizada, pelo medo de não ser aceita, de não ter sido o suficiente para agradar o outro (você).
 
Será que sou tão estranha assim?  O fato de estar sempre com pensamentos longe, susurrando pelos cantos, com os olhos distantes e em constante quietude, me faz ter a impressão que estou fora do padrão de uma pessoa que é acessível, simpática e que está sempre sorridente.
 
O problema é que quando me vejo assim, tomada pela insegurança, trago  no olhar uma tristeza, melancólica, que me faz silenciar, desejando somente o quarto, a cama e o caderno. Os pensamentos inclinando para o negativo mostram o medo de que posso nunca ser amada, que precisarei cedo ou tarde "ajustar" algo em mim para que o outro me queira... "Não seja afobada", "não se entregue tanto",  "faça charme no começo..." Esses pensamentos que barram a minha essência de ser intensa, calorosa e romântica  nos encontros casuais, batem de frente com questionamentos como: porque eu teria que mudar algo para que você fique, se eu já sou o bastante? 
 
Olhei-me no espelho hoje, domingo de manhã, ainda eufórica e pensei em como eu estava linda na noite passada.
 
(Você também estava.) Fui vestida de intensidade, apaixonada. Levei meu afeto na bagagem... Levei carinho, calor nas mãos e nos olhos,  meus tropeços também, os deslizes, a pulsação acelerada e o amor... Incondicional.  
 
Quando nem uma dessas caracteristicas servirem para que o outro se convença à ficar, o ideal é você pedir licença e sair.
 
É claro que a gente sente medo... Não queremos ver as mãos se soltando, não queremos ver quem a gente ama partir, mas é necessário saber que o afeto que você deu (puro e leal ao outro)  era tudo o que tinha naquele momento, e se isso não foi o bastante não se questione mais, não se torture... Se dê a chance de pegar todo esse amor e doar todo para si de novo. 
 
Eu espero do fundo do meu coração que esta pessoa fique, que apesar de ter visto os meus tropeços, tenha encontrado em mim um canto seguro e confortável para seu deleito.
Se caso por obra do destino, encontre este porto seguro em algo ou outro alguém, a porta estará aberta.
 
 Posso deixar o nó frouxo caso você queira ir, mas eu adoraria se você ficasse.
 
Só não quero mais andar com a insegurança pesando em meus ombros, não quero mais sofrer esses desgastes... A vida já tem sido desgastante o suficiente... Acredito que é chegada uma idade em que tudo que queremos é um pouco de tranquilidade, paz e amor. 
 
E por falar em amor, onde ele fica no meio de tudo isso? Bom, eu o carrego  comigo na bagagem.