Cefas Carvalho

11/11/2020
 
Pólvora de verdade, Bolsonaro sabe disso, é a suspeita contra Flávio e Carlos
 
 
Em mais uma de suas barbaridades e rompantes de botequim o despresidente da República vociferou em uma fala relacionada aos EUA com Joe Biden que "se não resolver na saliva, resolve na pólvora". Ou seja, insinou que se não gostar do tratamento que receber do governo norte-americano, sairá na bala, irá para a guerra.
 
Nem entrarei no mérito da questão sobre o ridículo de ameaçar com um gracejo de fila de lotérica a maior potência bélica e econômica do Mundo. Prefiro ficar, desta vez, com o argumento da cortina de fumaça.
 
Bolsonaro, que é tosco e burro, mas, na autodefesa dos filhos e interesses, aí se torna repentinamente esperto, sabe que pólvora mesmo é a situação do filho senador Flávio. Quem vem sendo investigado por evidências de "racadinhas" no gabinete quando deputado no Rio. 
 
E descobriu-se que entre abril de 2014 e agosto de 2018, Flávio e sua esposa, Fernanda, receberam R$ 295,5 mil em dinheiro vivo, por meio de 146 depósitos “sem origem conhecida”. O dinheiro foi usado para pagar parcelas de um apartamento na Barra, no Rio.
 Os Bolsonaros odeiam transações bancárias e amam dinheiro vivo, como se sabe.
 
Em Brasilia é sabido que a qualquer momento a situação de Flávio pode se complicar e ele parar no STF. Mesmo com o "Supremo com tudo", ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes já deram mostras que estão irritados com o clã.
 
Outra pólvora que pode explodir nas mãos do bolsonarismo é a retomada das notícias do possível envolvimento de Carlos, o Carluxo, na morte de Marielle. Às vésperas da eleição no Rio, não é bom para o grupo ter essas notícias e suspeitas exumadas. 
 
Pólvora real é isso, e Bolsonaro sabe. O gracejo foi para desviar a atenção e municiar a Esquerda de indignações e memes. Conseguiu. O Governo Biden deve endurecer para Bolsoaro, mas não por essa declaração de guerra de Napoleão de hospício, e sim pela questão ambiental, pela pressão que sofre do partido democrata e da Europa. Esperemos.