Evandro Borges

09/10/2020
 
 
Faltar ao debate é desrespeito ao eleitorado
 
Um processo democrático exige um comportamento de realizar o debate, expor  ideias e opiniões, principalmente daqueles que desejam renovar os mandatos, ainda tem o compromisso de prestar contas das realizações e do que deixou de fazer, explanando sobre os novos planos e planejamentos, não se justifica a ausência e a falta, não há motivos para não participar dos debates. É uma obrigação democrática dos candidatos.
 
A democracia brasileira é pluralista e há uma Lei Orgânica dos Partidos Políticos, não importa se é boa ou ruim, pois pode ser alterada e modificada, devidamente ajustada às necessidades da sociedade, há limites e salvaguardas, cláusulas de barreiras, ensejando as incorporações e até dificuldades de criação de novos partidos, como é o caso do exemplo da articulação da “União pelo Brasil”, o número de candidatos não é motivo para se ausentar dos debates.
 
A participação com quatorze candidatos, não é justificativa para não comparecer ao debate, ou simplesmente alegar pouco tempo para cada um, nivelamento por baixo, nada justifica a ausência, pois previamente, através das assessorias podem ser estabelecidas as cláusulas e critérios para o debate, fixação de tema, distribuição de tempo, portanto, o debate deve haver, a omissão é inaceitável.
 
A legislação eleitoral estabelece que os candidatos aos cargos majoritários apresentem o Plano de Governo, alguns conseguem construir de forma coletiva, realizam seminários e encontros com a participação de convencionais, de personalidades, especialistas e com a participação popular, outros encomendam a empresas e outros copiam propostas aleatórias, mas o debate no curso das eleições consiste em uma obrigatoriedade ética.
 
Natal e sua Região Metropolitana têm muitos desafios, mesmo com as dificuldades da especialidade da campanha em face da pandemia do coronavírus ensejou que muitos candidatos realizassem “lives” de toda ordem, dos mais variados temas e com muitos especialistas, portanto, oportunizando o debate das ideais e da busca das soluções para contemporaneidade.
 
A campanha já foi adiada a data, mesmo a Justiça Eleitoral mantendo o calendário eleitoral, do que fez muito bem, pois se trata de eleição municipal, mesmo com alguns segmentos e personalidades defendendo uma eleição unitária em nome da economia para o Brasil, mas, democracia seria é preciso haver eleição para escolha dos dirigentes, de plebiscito e referendos, alargando os passos da democracia representativa.
 
Finalmente, o Mandatário Chefe da Municipalidade, através de Decreto de seu talante, sem ouvir ninguém, e ao “arrepio da lei”, por estar na frente das pesquisas e acreditando em resolver as eleições no primeiro turno, tentou diminuir a campanha com proibições, inclusive de carreatas, cada um nos seus carros, utilizando um instrumento de salvaguarda da crise sanitária.
 
De fato será uma campanha diferente, de preservação da vida, do uso de protocolos dos organismos da saúde pública, todavia, querer normatizar tolhendo a manifestação das candidaturas, e ao mesmo tempo, também fiscalizar é querer demais, um verdadeiro rompante de autoritarismo, da falta de capacidade de diálogo, nem mesmo uma simples reunião com os partidos políticos se prestou a realizar.
 
A democracia consiste na convivência dos contrários, no debate livre e exaustivo, na apresentação de propostas e de críticas, passar a limpo o Município e averiguar se os candidatos têm condições de exercer a governabilidade, de dirigir a municipalidade, de alavancar os processos de desenvolvimento com sustentabilidade, e de resolver as problemáticas da atualidade.