Liliana Borges

03/10/2020
 
AZEITÃO, rota de vinhos, queijos, doces…
 
Azeitão é integrado ao Concelho de Setúbal, porém várias freguesias partilham o nome “de Azeitão”: Vila Nogueira de Azeitão, Brejos de Azeitão, Vendas de Azeitão e Vila Fresca de Azeitão. A origem desta denominação foi em decorrência dos extensos olivais que haviam na época quando os árabes habitavam e dominavam a região.
 
Sua população é aproximadamente 18.877 habitantes e está cerca de 35 km de Lisboa. A região, além de linda, possui maravilhosas vinícolas, como também, é conhecida pelo saboroso “Queijo de Azeitão” que foi considerado um dos 50 melhores produtos gastronômicos do mundo pelo Great Taste Awards pela Guild of Fine Food (Irlanda), “Óscares da Gastronomia” e, ainda, por seus deliciosos doces como a famosa Torta de Azeitão.
 
Em uma das freguesias mais conhecidas, Vila Nogueira de Azeitão, deparamos com a belíssima Praça da República com sua linda fonte em cacho de uvas, peça que alude a atividade vitivinícola na região; esculturas do Poeta da Arrábida, Sebastião da Gama e Carlos A. Ferreira Júnior que foi exemplo de cidadania ativa, ambos em tamanho original; aconchegantes cafeterias e o magnífico Palácio dos Duques de Aveiro.
 
As cafeterias são encantadoras, além dos seus saborosos doces tradicionais portugueses são lindamente decoradas. A exemplo de Lavadouro a café, “Sabores & Encantos de Azeitão” era o local do lavadouro municipal onde as corajosas e trabalhadoras mulheres lavavam roupas e, hoje recuperado e transformado em uma agradabilíssima cafeteria. 
Cabe destacar a graciosa “Loja das Tortas” que tive oportunidade de sentar, tomar um bom café e apreciar seus deliciosos doces, como a saborosa Torta de Azeitão que é uma espécie de rocambole em miniatura com um creme a base de ovos e canela, sabor indescritível. Ademais, uma variedade de peças de arte e várias iguarias da rica culinária portuguesa como o renomado queijo, todos expostos à venda e embelezando o ambiente.
 
Seguindo mais adiante encontraremos várias relíquias, a linda Fonte dos Pasmados que nos reporta ao ano de 1787 e reza a lenda: “Quem desta água beber ficará para sempre ligado a Azeitão” ; a Igreja de São Lourenço, séc. XVI; e a maravilhosa Casa Museu da família José Maria da Fonseca que nos proporciona visitas guiadas e, mais a atenção especial dos seus dedicados e simpáticos funcionários.
 
José Maria da Fonseca é a empresa de vinho de mesa mais antiga de Portugal, fundada em 1834 que está na 7ª geração e além disso, comercializa seus vinhos por todos os continentes. Produzem por volta de 15 milhões de litros de vinho anualmente, exportando cerca de 70% da produção para aproximadamente 70 países, sendo o 1º a Suécia, o 2º o Brasil e o 3º EUA, porém os portuguese são os que mais consomem. 
 
Eu tive a honra de uma visita guiada por Carolina Cláudio, assistente de turismo, com seus vastos conhecimentos e mais a boa companhia de Diogo Limão e Luís Camisinha que estavam no momento que lá visitei. Uma ótima tarde com um banho de conhecimentos e beleza que encheram nossos olhos; iniciando pela Casa Museu, em seguida, visitamos os jardins, antigas adegas e finalizando ao sabor da preciosa prova de vinhos.
 
O fundador, José Maria da Fonseca, nasceu em 1804 no norte de Portugal, mudou-se para a região e criou a empresa com as vinhas recebidas por seu pai como forma de pagamento de uma dívida, mais adiante, construiu sua residência em 1820 que atualmente é a Casa Museu. 
 
Ele foi responsável pelos primeiros vinhos de mesa engarrafados e comercializados em Portugal com a marca que existe até os dias de hoje que é o “Periquita”. As garrafas eram embrulhadas com papel pardo com diferentes cores e não possibilitavam a visualização do tipo de vinho que estaria lá dentro, apenas era escrito a mão o ano do vinho e o tipo. Falam os portugueses que este vinho está nas suas mesas antes do próprio Hino Nacional…
 
Cabe destaque a origem do Moscatel, quando iniciou as exportações de vinhos para o Brasil por volta do século XIX a única maneira de fazer chegar seria a bordo dos navios portugueses e, os capitães eram responsáveis por sua venda. Em uma destas viagens não foram vendidos todos e retornaram para as suas adegas, ao retorno acreditavam que estavam estragados, mas quando provaram perceberam que estava substancialmente melhor.
 
 As condições adversas no mar acabaram por envelhecer mais rápido. No caso deste vinho quanto mais velho melhor, assim, surgiu por acaso o espetacular Moscatel. Seu sabor é adocicado e serve como aperitivo ou após as refeições como delicioso digestivo. O Moscatel Roxo de Setúbal ganhou vários prêmios internacionais, sendo considerado o melhor do mundo. 
 
E ainda, é importante mencionar que a Península de Setúbal possui 5 rotas de vinhos que integram as adegas aderentes em roteiros turísticos. Bela região, vale muito conhecer…
José Maria da Fonseca é história portuguesa…
 
Terras Lusitanas, sempre muitosss encantossss…