Ana Paula Campos

28/09/2020
 
De um limão, uma limonada. Da pandemia, lives!
 
 
Iniciei 2020 com a agenda repleta de compromissos. Eram eventos que variavam entre contações de histórias, assessorias pedagógicas, palestras e formações. Então nos vimos diante de uma pandemia mundial que exigiu de nós o isolamento social. Agenda cancelada por tempo indeterminado. Após alguns meses de adaptação à nova rotina, eis que surge uma nova tendência virtual: Lives!
 
Assumindo uma curiosidade epistêmica, comecei a assistir a diálogos variados e observar como procediam. Acometida por algumas leituras que revelavam a ausência de potências negras nos mais diversos campos sociais, eis que surge a ideia: decidi convidar profissionais de áreas distintas para abordarem temas que considero relevantes para a luta antirracista e afrocentrada.
 
Para minha surpresa, além dos/as conhecidos/as da minha cidade que tanto admiro, tive também o aceite de outros/as intelectuais e artivistas que não hesitaram em participar desse meu projeto. Gigantes como Joice Berth, Lhasa Calassia, Rodney William, Bia Crispim, Socorro Lima e Bia Ferreira, fizeram parte dessa lista.
 
Tentando tirar o máximo de proveito de cada encontro, busquei estudar com cuidado o tema que seria abordado por cada intelectual. Apesar de estar na condição de ouvinte, queria ter a certeza de que faria as perguntas certas, ou seja, aquelas que promoveriam uma maior reflexão no público.
 
Antes de cada live, a ansiedade tomava conta de mim, pois sou de uma geração que lia basicamente pessoas do grupo hegemônico: homens, brancos, heteronormativos, cisgênero, e a grande maioria deles já estava morta. Então, estar diante dos/as intelectuais que leio e que formam a minha maneira de ser/estar no mundo foi uma experiência incrível. Além disso, apesar dos limites de acesso relacionados ao aplicativo Instagram, considere este processo como uma forma de democratizar os saberes, uma vez que seria quase impossível, ao menos para mim, assistir a todas essas “palestras” presencialmente. 
 
De live em live, os meses foram passando. Iniciei o projeto em maio e seguimos até hoje. E para quem achou que me excedi nos convites, essa pessoa não tem noção de como foi doloroso ter de escolher este em detrimento daquele/a intelectual negro/a. Se eu fosse dar cabo da minha vontade, o projeto seguiria facilmente até dezembro.
Educação, saúde, religião, arte, música foram alguns dos temas abordados de forma didática e acessível pelos/as convidados/as sempre com o racismo como foco central. Serei eternamente grata pela partilha generosa de cada um/a.
 
Caso você tenha perdido esses momentos, não se preocupe. Todas as lives estão sendo salvas no IGTV do meu perfil @camposapnc no Instagram. Além disso, iniciaremos uma série de artigos para minha coluna do Jornal Potiguar Notícias, relatando tudo que aprendi com cada convidado/a. Também será criado um canal no Youtube com todos os vídeos, tornando ainda mais acessível o conhecimento. Corre lá, segue o perfil, assiste às lives, curte, comenta e compartilha os vídeos. Não seja o tipo de pessoa que se diz antirracista, mas não acessa material preto, não divulga e não prestigia nosso trabalho.
 
Minha eterna gratidão aos/as convidados/as:
 
Rodney William – Lei 10.639 nas escolas
Joice Berth – Empoderamento
Bia Crispim – Escola x Bullying de gênero
Giovana Maria – Rotina de criança durante a pandemia
Lhasa Callasia – Intolerância religiosa
Bárbara Cristine – A experiência da Escolinha Maria Felipa
Lucélia Feliciano – Quando me descobri negra
Maria Rita – Racismo estrutural 
Bia Ferreira – Racismo, identidade de gênero, educação e arte
Ana Catarina – Literatura feminina
Amanda Pereira – Autocuidado
Cecília Oliveira – Gordoobia
Socorro Silva – Políticas educacionais de ações afirmativas
Tatiane Ribeiro – Rede de ensino Emancipa
Jorge Negão – O Folia de Rua e a arte popular
Lua Chagas – Cabelo, trança e turbante 
Kezauin Miranda – A saúde da mulher negra
Vila Piedade – Dororidade
Efigência Cruz – Repensando o cárcere feminino
Junior Dantas – O Pequeno Príncipe Preto
Maria Gorette – Protagonismo feminino no Beco da Lama
Geni Guimarães – Pioneirismo na escrita feminina negra 
Marcela Costa – Empreendedorismo feminino negro
Fábio Mariano – Masculinidades
Sidnei Nogueira – Intolerância religiosa
Luiz Rufino – Pedagogia das encruzilhadas 
Renato Noguera – Por que amamos
Raphael Neves – Alimentação e cuidado com o corpo
André Sacramento – Black Money