Evandro Borges

18/09/2020
 
A ausência de diálogo e comunicação no transporte público
 
Em uma sociedade democrática e plural a marca do diálogo é uma característica. O diálogo significa conversar e realizar tratativas com os segmentos sociais, mesmo em que estejam em posições antagônicas e divergentes, buscando a formação de unidades e consensos. É preciso capacidade de ouvir, juntar opiniões, reunir vivências e posições técnicas, encontrando soluções. É uma postura que se pode dizer ética para o trato da coisa pública.
 
O planejamento fechado, dentro “quatro paredes” desconhecendo a vivência da população, é política do passado, soluções de iluminados, que as vezes verbalizam bem, usam lógicas e “soluções de mercados”, analisam custos, pois no caso do transporte público, roteiros e linhas de transportes que afetam pessoas, é preciso levar em conta a dignidade humana, saber ouvir os usuários.
 
Em Natal, nestes dias o Executivo Municipal, anunciou abruptamente, de  forma repentina, alterações dos percursos de linhas, e fim de outras, que se vinha praticando de maneira costumeira no decorrer dos anos, sem um mínimo de aviso prévio, recebeu de imediato a contrariedade da população e inclusive com uma boa cobertura da comunicação social, levando os reclamos dos usuários.
 
O transporte de ônibus para a população que usa cotidianamente é considerado um sofrimento, grandes esperas, faltando pontualidade, nos horários de picos abarrotados de gente, veículos mal conservados, completamente inadequados, para as pessoas humanas que já cumprem jornadas de trabalho longas e extenuantes, com tarifas onerosas, principalmente diante dos aviltados salários. 
 
A mobilidade urbana de Natal e Região Metropolitana precisa de um colegiado que opine e que seja representativo, que conheçam tecnicamente as dificuldades, sabendo levar em conta as vivências da população e dos usuários, a omissão é imperdoável, e deixar para os técnicos decidirem e aproveitarem os poucos programas de rádio para prestarem informações aos ouvintes é descaso com trato da coisa pública.  
 
O Prefeito ao longo do mandato não se tem mostrado afeito ao diálogo, sequer, na data base reconhecida judicialmente dos servidores públicos, se nega em realizar as mesas de negociação coletiva, e agora, precisou revogar decisões em relação à mudança de trajetos e finalizações de linha pela negativa repercussão, sem nenhuma consulta prévia aos usuários.
 
Os mecanismos de participação são bastantes conhecidos, se tornaram uma prática na gestão pública, como é o caso das audiências públicas, fáceis de serem convocadas, conta inclusive com a contribuição das mídias sociais, no momento de pandemia, podem ser realizadas através de “lives” prática que tomou conta do cenário público com grande aceitação, portanto, a omissão de comunicação e diálogo foi gritante.