Cefas Carvalho

02/09/2020
 
Brasil, mostra a sua cara, quero ver quem paga para a gente ficar assim!
 
 
Não, a pandemia não acabou e nem o Brasil descobriu e tem disponível a vacina contra o vírus, ao contrário do que possa parecer, ao contrário de podemos pensar com tanta gente nas ruas sem os protocolos de cuidados e fazendo questão de estar ou de fazer aglomeração.
 
Sim, boa parte da população cansou do isolamento e das medidas de restrição e passou a viver como se não houvesse mais vírus, como se não houvesse amanhã. Não falo aqui dos que precisam trabalhar de maneira externa nem mesmo dos que começam timidamente a sair para beber uma cerveja a sós ou à pizzaria da esuina com a família, tomando os devidos e necessários cuidados. Falo dos negacionistas, dos exibicionistas, dos que confrontam as regras, decretos e bom senso comum.
 
Claro que temos um despresidente que negligenciou a pandemia, rifou o Ministério da Saude, zombou dos mortos e de suas famílias e agora despreza a futura vacinação contra a Covid-19. Mas, também é certo que temos muita gente, milhões de pessoas, que pensam igual e se sentem representadas por este tipo de postura. 
 
E em meio a isso tudo, nós, pobres mortais, assustados com isso tudo, com o vírus que não foi embora e que ainda mata mil brasileiros por dia, com o fantasma de um golpe que sempre parece ser insunuado, com a Economia patinhando e um PIB que não cresce.
 
E continuamos sendo o país onde mais se assassina LGBTs. Um dos países com maiores índices de violência doméstica e de feminicídio. Um país onde parte da população tentou criminalizar e culpar uma criança de 10 anos pelos estupros que sofria de um tio desde os 6.
 
Há quem diga que merecemos, enquanto país, o desgoverno que temos e o que sofremos. Talvez.
 
No final dos anos 90, Cazuza cantou Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim/Brasil, qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim...
 
Se naquela época o Brasil já não era confiável, hoje muito menos. Tornamo-nos uma nação de negacionistas em grandes parte, de pessoas agressivas. Esqueça o mito do brasileiro cordial. Os números, evidências, fatos, redes sociais desmentem isso. 
 
Voltando ao início, não, a pendamia não terminou. E ainda tem gente que está morrendo de Covid-19 nas UTIs. Mas, para parte da população, isso não interessa, não vem ao caso. Perdemos, enquanto coletivo, a capacidade de nos indignar e de ter empatia, pelo menos em coisas relativas ao próprio Brasil.
 
Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer...