Cefas Carvalho

19/08/2020
 
 
Bolsonaro não saiu da campanha de 2018 e, sem governar, emendou com a de 2022
 
 
Como jornalista, recebo informações da agenda que o presidente Bolsonaro vai cumprir no Rio Grande do Norte na próxima sexta-feira, 21.
 
Se você acha que inclui reuniões com a governadora, Fiern, visita a pesquisas da UFRN ou diálogos com setor produtivo, esqueça. Na agenda, visita a Estrada do Cajueiro, em Mossoró, inauguração de obra hídrica no município de Assú, visita ao canteiro de obras da barragem de Oiticica, em Jucurutu e à Reta Tabajara em Natal. 
 
Sim, você pensou certo. Agenda de candidato, não de presidente. Muita "inauguração", claque, palmas, selfies além de pompa e circunstância. Ações efetivas, nenhuma. Mesmo com 14 milhões de desempregados no país e 110 mil mortos peloa Covid-19.
 
Já escrevi em outros textos neste espaço que Bolsonaro detesta governar, gerir, gerenciar, administrar. Ele gosta de conflito, de poder, de adulação. E de campanha. Nunca saiu da de 2018. E agora a emendou na de 2022.
 
Desde a redemocratização do país, que coincidiu com minha adolescência e o gosto em acompanhar política, jamais vi um presidente começar a campanha pela reeleição com um ano e meio de mandato.
 
Deve ser a tal "nova política". Ironia à parte, nem chega a ser isso, não. É que fazendo campanha não sobra tempo para governar. Coisa que Bolsonaro não gosta, não quer e não sabe fazer. Pobre Brasil.