Wellington Duarte

08/08/2020
 
Na Terra Brazilis, acolhemos os quatro cavaleiros do apocalipse e os tornamos parte da nossa vida. Triste fim de uma quase nação
 
 
Estamos às portas de computar CEM MIL MORTES oriundas diretamente da pandemia COVID-19, isso levando em consideração as oficialmente registradas. É como pegássemos o maior estádio do BraZil, o Maracanã, onde cabem 79 mil pessoas e juntássemos ao Presidente Vargas em, Fortaleza, cuja capacidade é de 20,2 mil pessoas, e os enchêssemos com as vítimas dessa peste que, com a ajuda do ser humano desprezível, que hoje é presidente da “república”, vagueia alegremente, devastando famílias do Oiapoque ao Chuí. Lamentemos essas CEM MIL MORTES e as quase DUAS MIL do Rio Grande do Norte, a terra de dos potiguara e tarairus, exterminados para dar lugar às fazendas. 
 
Aos poucos, e com a pandemia já instalada no nosso dia a dia, a rotina vai sendo retomada, e os “isolados sociais” vão encolhendo e, em breve estes serão instados a se juntar ao “novo normal”. Ah, o “novo normal”, essa frase canalha, que alimenta o pobre espírito daqueles que se entregaram à ignorância, ao conformismo e à resignação, dando a morte como “dada” e a pandemia tão importante quanto a tuberculose, acidentes de carro, dor de dente, furúnculo e unha encravada. O “novo normal” é a nova rota de fuga da classe média, que sente o sopro da morte no seu cangote, mas fecha os olhos e imagina ser um mero vento quente, vindo da natureza, e, portanto, nada a temer.
 
No livro final do Novo Testamento, Apocalipse, um apocalipse escrito por João de Patmos;  em Zacarias do Antigo Testamento, e no Livro de Ezequiel, onde são nomeados como punições de Deus, aparecem as figuras que conhecemos nos nossos pesadelos e que hoje são quase tão reais que assustam a nós e aos incrédulos.
 
Zacarias fala em enviados do Senhor para fazer um tour na terra, trazendo adversidades tremendas; Ezequiel os lista como "espada, fome, feras e peste"; João os descreve como a Peste, a Guerra, a Fome e a morte. Essas figuras sinistras parecem ter encontrado no BraZil um ponto de estadia, senão vejamos.
 
A Peste, a pandemia, espalhou-se como vento graças a uma sabotagem deliberada do presidente da república e seus acólitos. A Peste foi acolhida por Bolsonaro, que a enviou aos quatro cantos do país, disseminando a pandemia. E estamos onde estamos.
 
A Guerra, pode ser vista como a essência do governo fascista, sempre em atitude belicosa, inclusive tendo cutucado a Venezuela, recuando porque as nossas gloriosas forças armadas, mais preocupadas em espalhar-se pela burocracia palaciana não deu bolas. E o presidente declarou guerra aberta contra a Educação e Ciência, tornando-se esse país um bastião da ignorância mais obtusa.
 
A Fome. Bolsonaro delegou à sua equipe econômica, chefiada pelo idolatrado medíocre Paulo Guedes, a tarefa de garantir que a fome retornasse às casas dos mais pobres. E assim foi feito, assim está sendo feito e assim será feito. Guedes, O Cínico, caminha ao lado da Fome e confidenciam juras de amor.
 
A Morte. Thanatos veio com seu cavalo cinza, devagar, sem pressa. Ele já vinha preparando sua estadia aqui a algum tempo, alimentando as milícias, o crime organizado, a fome de morte dos policiais militares e foi, talvez, o mais bem aceito de todos. 
 
“Generais reúnem suas massas, como bruxas em missas negras.
Mentes malignas que tramam destruição.
 Feiticeiros da construção da morte
Nos campos os corpos queimando
Enquanto a máquina de guerra continua girando
Morte e ódio à humanidade
Envenenando suas mentes lavadas. “(War Pigs, Black Sabbath, 1970)