Valério Mesquita

03/07/2020
 
JOSÉ FÉLIX BARBOSA
 
 
Vinte anos são decorridos do falecimento de um dos maiores desportistas de Macaíba. Convivi com ele em várias fases da vida, na lide esportiva. Foi um dedicado, abnegado e incentivador de torneios, campeonatos, desfiles, trazendo à cidade, ao longo de muitos anos, equipes importantes, atletas renomados, autoridades civis e militares. Era a corrida de pedestrianismo Augusto Severo que ele tornou famosa no nordeste, o futebol, o voleibol, o salonismo e tantas outras atividades, as quais nunca mais se viu em Macaíba. 
 
As manhãs das provas de pedestrianismo hospedavam bandas de música do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e da Polícia Militar, numa verdadeira maratona de esporte, cultura musical, congraçamento social e de lazer de raças, luzes, cores e cidadania. Quem realizava tudo isso: um homem pobre, simples e deficiente auditivo chamado José Félix Barbosa. Admirado e aplaudido por uns mas invejado e sabotado por outros, viveu e enfrentou esses ambientes de temperaturas e temperamentos. Exerceu a presidência da Liga de Desportos Amadores de Macaíba por vários anos. A esposa Francisca Amélia foi testemunha eloquente e sofredora da sua luta, auxiliando-o a suprir a dificuldade auditiva para se comunicar com todo aquele mundo turbulento de atletas, times, público, imprensa, espalhados em Macaíba, Natal e dezenas de cidades.
 
Devemos relembrar dele a beleza de todos aqueles espetáculos que produziu nas ruas de Macaíba, nos estádios lotados e na alegria espontânea que gerou por toda parte. Resgatemos de José Félix Barbosa o estímulo que plantou na juventude do amor à prática do esporte, à crença na “mente sã num corpo são”, afastando muitos do vício e da droga. Ele fez isso em Macaíba ininterruptamente durante décadas. Morreu pobre, esquecido e até injuriado. Quem se atreveu a realizar o que ele fez? Que homenagem de reconhecimento recebeu dos desportistas, das autoridades e do povo pelo muito que ofereceu ao esporte? Vinte anos do seu encantamento nos separa. É hora de Macaíba tributar-lhe a justa e merecida homenagem. Para Félix,
 
dedico-lhe essa reflexão da escritora Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e, sim, a caminhada. Caminhando e semeando sempre”. Macaíba, José, colheu os frutos que você plantou, só não soube ainda agradecer.