Wellington Duarte

13/06/2020
 
COVID-19 : BOLSONARO, O “VENTO ASSASSINO”, CHAMA SUAS HORDAS PARA INVADIR HOSPITAIS.
 
Em qualquer país mais civilizado, um presidente da República que usasse as redes sociais para incitar a população para invadir hospitais de campanha para ver se tem camas vazias, veria, em poucas horas, uma viatura chegar às portas do Planalto, com ordens de um STF lúcido, seria enviado para uma masmorra qualquer e aguardaria, se possível com focinheira, um julgamento por “incitação ao crime de genocídio”. Não se trata de um arroubo esquerdista ou de um ressentido por que, como disse a filósofa Adriane Galisteu, “ele é presidente de todos” ou como falou o grande democrata Fabio Faria a respeito da pacificação dos espíritos e a “arte de saber ouvir”.
 
Bolsonaro, o presidente mais patético da história desse país, além de todos os crimes cometidos e o rol é respeitável, agora parte para a incitação da “ação direta”, uma tática desenvolvida pelos fascistas italianos, em 1921, que teve como consequência a chegada, via eleição de Mussolini à chefia do governo italiano, em 1922 e a implementação, quatro anos depois, da ditadura, que serviu de modelo para Hitler, que repetiu, em termos, a ação fascista e 7 anos depois implantou a ditadura na Alemanha. Em pouco tempo Portugal e Espanha, depois de um banho de sangue, estariam com suas ditaduras.
 
A chegada de Fabio Faria, uma nulidade política alimentada pelas fazendas do RN, ao ressuscitado ministério das Comunicações anuncia a estatização atravessada e disfarça dos grandes meios de comunicação, nas mãos do SBT e Record, ameaçando o poder histórico da Globo, algo muito temido pelos liberais nos 13 anos dos governos de COALIZÃO, liderados pelo PT que, EM NENHUM MOMENTO ameaçou o poder desse oligopólio e, no limite, redistribuiu a grana concentrada nesses grandes meios, na imprensa alternativa progressista, o que arrepiou os liberais de plantão.
 
E o que tem a ver o crime de incitação ao genocídio com a tentativa de estatizar transversalmente os grandes meios de comunicação do país? Bolsonaro e sua horda de sabujos fascistas, montou um milionário esquema de mentiras, chamadas de Fake News e conseguiu, com a grande ajudar do senhor Moro e a camarilha da Lava a Jato, impulsionada pelo sistema Globo, criar um país distópico, em que havia um “país comunista”, dominado pela “petralha corrupta”, ameaçando os valores tradicionais da família brasileira pois CRIOU a corrupção; do outro lado emergia o cara que estava fora desse sistema corrupto, mesmo que nos seus 28 anos como deputado, tenha sido aliado de Paulo Maluf e tenha destilado ódio nessa trajetória que, se a Justiça não o tivesse considerado uma “figura excêntrica”, estaria PRESO.
 
Foi essa rede que elegeu Bolsonaro e que agora enfia o país numa cova aberta, em que os mortos se acumulam, enquanto os vivos vivem assombrados pela fome e desemprego. Isso é fato e num futuro não muito distante, a história considerará esse período da história brasileira como o “mais sombrio da história desse país”.
 
Quero lembrar que o uso dos meios de comunicação pode causar tragédias incomensuráveis e cito um exemplo muito recente, ocorrido entre abril e julho de 1994, portanto há quase dezesseis anos, num pequeno país africano chamado Ruanda.
 
Lá, em meio há um tensionamento econômico, político e social, muito derivado da forma de como os europeus partilharam a África e criaram elites artificiais, emergiu uma horda assassina chamada de Interahamwe, que significa “aqueles que lutam junto”, armada com o mais puro ódio e teve um emissor formidável, a chamada Radio e Televisão LIVRE das Mil Colinas, dirigidas por um HISTORIADOR, um MÉDICO e um JORNALISTA. A conhecida RTLM, que desde julho de 1993, portanto um ano antes, tinha a programação TODA voltada para incitar o ódio contra a etnia tutsi, chamada por essa emissora por “baratas sujas”.
 
Em 06 de abril de 1994 o presidente do país, Juvenal Habyarinama, que estava articulando uma negociação com os tutsis, foi morto quando o avião em que viajava ele e o presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira, foi derrubado por um míssil disparado, soube-se depois, pelos milicianos hutus. Imediatamente, e nas semanas seguinte, a RTML passou a concentrar sua programação orientando os interahamwe a massacrarem os tutsis, inclusive orientando os locais onde eles se refugiavam. A emissora chamava os hutus ao massacre a encher os túmulos, ainda vazios, com tutsis.
 
Todo esse ódio extremista causou um genocídio escandaloso. Em TRÊS MESES, cerca de UM MILHÃO E CEM MIL ruandeses tutsis foram mortos e as imagens macabras chegaram ao mundo causando estupor nas nações que, nesse período, ficaram debatendo sobre a “viabilidade política” de intervir ou não na tragédia genocida.
 
Qual a relação entre esse fato abominável e o que acontece no BraZil? Os Interahamwe bolsonaristas são orientados pelo presidente e o seu ódio animalesco, alimentados pelo fundamentalismo religioso, pelo ressentimento e pelo recalque, e que tem um aparelho de comunicação poderoso que incita essa turba a matar e isso só não aconteceu ainda, porque temos um limitado controle de armas. Imagine essa caterva armada.