Evandro Borges

12/06/2020
 
Ultrapassamos quarenta mil mortes
 
 
Os números são estarrecedores, estamos ultrapassando quarenta mil mortes, faltando leitos e UTIs, UPAs e prontos de socorro publico e privado fechando, as incertezas estão por toda a parte, o país se preparou mal, a condução governamental foi completamente equivocada, muitas bravatas, exposições excessivas, violações as recomendações científicas, as lições com exemplos não foram apreendidas.
 
A confusão praticada pelo Presidente da República, certamente, foi um dos principais responsáveis, contrário às orientações gerais, assumidas pela esmagadora maioria dos países, chamou a pandemia de gripezinha tentando minorar as consequências, pensando apenas na economia, quando a questão central continua ser a vida humana, mudou dois Ministros da Saúde, o primeiro que liderava a mitigação da expansão do coronavírus.
 
Em relação ao Congresso este funcionou a contento, aprovando a legislação para destravar a administração, logo reconheceu a situação de calamidade pública, alterou a lei das licitações, dando a administração pública em todas as suas esferas a celeridade suficiente para compras de EPIs, de aparelhar o sistema de saúde, de aprovação de verbas, encontrando rapidamente consensos, transformando em cenário adequado para o diálogo e entendimento das divergências e concepções.
 
Os protocolos da saúde, a procura dos remédios adequados em uma doença desconhecida, em face da falta da liderança de Estado, provocaram uma incerteza na população, é tanto que a quarentena foi alcançada a “meia boca”, em que pese os Decretos, que não faltaram com penalidades incluindo multas, e a pressão econômica de setores, alguns até de forma legítima, outros simplesmente, para não frustrarem os ganhos, diminuiu a eficácia do isolamento social.
 
No Rio Grande do Norte, caso continue com os dados se agravando, inexoravelmente, a marcha será para o “lockdown” como o Sindicato da Saúde e a Associação dos Juristas Potiguares pela Democracia e Cidadania pretenderam na Justiça, com liminares indeferidas, mostrando que a medida seria eficiente em proteção à vida, postulado disposto na constituição da República, para evitar o atendimento sem dignidade e chegando a tantas perdas de vidas humanas.
 
A quarentena não é fácil de fazer, principalmente, diante das moradias existentes, apesar de comprovada eficácia, a paralisação das aulas presenciais, da indústria e comercio que não eram essenciais, trabalho remoto, preveniu um mal maior,  poupando um tanto a população de risco. As iniciativas foram criativas, muitas “lives”, leituras, programas televisivos, reuniões virtuais, educação a distancia, assistência psicológica, missas e cultos a distância, uma mudança cultural.
 
Para infelicidade geral, a corrupção e mal feitos, estiveram à solta, com desvios de recursos, comissões extraordinárias, preços superfaturados, tráfico de influência, forçando agora, inúmeros inquéritos, que a mídia vem divulgando, deixando uma tristeza enorme diante dos fatos escabrosos, que precisam ser devidamente apuradas e aplicadas às penalidades merecidas.
 
Muita coisa boa está sendo vivenciada, uma delas o compromisso dos profissionais de saúde, que estão perdendo a vida para o combate ao coronavírus, merecedores de júbilos, do esforço do pessoal da CEF, muita solidariedade de todos os segmentos, tentativas de esclarecimento a população não está faltando, a comunicação social está permanentemente disposta a informar e esclarecer, mostrando diariamente números e entrevistas com profissionais.
 
O fato é que as mortes não podem de ser encobertas, as famílias vão reclamar as suas vítimas. É mesmo estarrecedor, o número de vidas humanas que se está perdendo, é preciso ter transparência, mais uma vez o Brasil vai figurar em estatísticas em situação desagradável. O país precisa de muitas mudanças estruturantes, dentro da democracia, do pluralismo e da alternância dos poderes.