Valério Mesquita

17/04/2020
 
Poucas e boas de Vinício Ferreira
 
 
Edvaldo Teixeira da Silva (Palito) é humorista, repentista, cordelista e poeta popular de Macaíba. Desejo homenageá-lo narrando as histórias do folclore popular de nossa terra. Palito com a palavra:
 
01) O macaibense Vinício Ferreira da farmácia Milagrosa, vinha de casa num sábado para o trabalho, arrastando a perna esquerda. Ai eu indaguei: “Já sei Vinício, você sofreu uma queda?”. Resposta: “Que nada Palito, foi a porra de um viagra que eu tomei”.
 
02) Outra de Vinício, vem do tempo de solteiro. Estava no Gango (baixo meretrício de Macaíba) quando uma mulher sentiu dores de parto. Naquele tempo não havia ambulância, nem hospital, somente a parteira Maria de Adauto. Ai a meretriz, quase parindo no meio da rua, foi logo vista pelo farmacêutico Vinício que, gritou: “Pessoal. vamos fazer uma rodinha para as crianças não verem”. A essa altura a mulher já estava parindo sob os seus cuidados. Quando o delegado da cidade flagrou o tumulto e Vinício no meio dele, logo quis saber: “Ele tá aprontando, vou vê o que é”. Chegando lá o tenente indagou: “O que foi isso Vinício?”. “Foi a p... que pariu”, respondeu. Outra confusão se instalou, embora tenha falado a verdade.
 
03) Vinício casou-se em 1957 e o celebrante foi o padre Chacon. Depois de seis meses, o sacerdote encontrou a esposa e perguntou: “E aí já tem filhos”. “Ainda não”. O padre Chacon avisou: “Amanhã estarei viajando para o Vaticano e vou levar uma vela e acender para no mínimo ter três casais”.  Padre Chacon passou alguns anos ausente e quando voltou à Macaíba, num sábado da feira voltou a encontrar com a mulher e indagou: “E ai, já tem filhos?”. Ela disse: “Eu tenho dez filhos e estou esperando mais um”. Contente o vigário disparou: “Graças a Deus. Ta vendo, deu certo. E o amigo Vinício onde está?”. “Ele viajou para o Vaticano a fim de apagar o resto das velas!!”.
 
04) Ainda sobre o folclórico Vinício da farmácia, na época em que bebia, vinha melado dirigindo sua rural Willys. O guarda apitou. Mas, de repente, ele pensou mais alto: “Oba, ela tá melado... Vou dá uma ferrada nele”. Chegou lá e ponderou: “Vinício você em alta velocidade, bêbado ao volante...”. O farmacêutico, prevendo as intenções, respondeu: “É, tô melado e tô invocado”. “Pelo menos, molhe a minha mão”. Vinício não se fez de rogado: cuspiu na mão do guarda.
 
05) Certa Vez, o boêmio foi levado a delegacia para prestar esclarecimentos de uma ocorrência e ficou detido. Os amigos recorreram ao então deputado Alfredo Mesquita para solta-lo. Chegando lá, o velho Mesquita falou ao delegado: “Delegado, libere o rapaz! Isso foi um mal entendido e tal”. Vinício quando saiu da delegacia, zangado, foi de novo beber cachaça. Passou com a sua rural com os dizeres escritos no pára-choque: “Nem carrego rapariga e nem soldado de polícia!”. Quando o delegado viu correu e voltou a reclamar ao pai de Valério. “Olhe, olhe, deputado, ele tá desconsiderando a autoridade. Escrever uma frase dessa. Peça para apagar”. Seu Mesquita mandou chamar Vinício e ponderou: “Amigo, faça isso não! Apague. É feio demais e você está desrespeitando o delegado”. O farmacêutico respondeu: “Seu Mesquita, dê-me apenas uma hora que estará tudo resolvido”. Ele saiu e o delegado ficou esperando na porta da igreja com o pai de Valério. De repente, passa Vinício dirigindo o seu veículo com outra frase na traseira: “Apaguei mas não carrego!”.
 
06) Para concluir, um rapaz chegou à farmácia de Vinício e pediu: “Me vê ai um remédio para dor de barriga”. O neto do farmacêutico atendendo num dia de feira, muita gente, despachou um envelope de Diazepam de dez miligramas. Depois de meia hora que o rapaz saiu, Vinício deu fé: “Menino, você deu o medicamento errado. O remédio era para dor de barriga e você deu para os nervos. Vá chamar o rapaz!”, ordenou. Quando o moço chegou o comerciante falou: “Meu filho, me desculpe! É que meu neto deu a você o remédio errado. Em vez do da dor de barriga deu para os nervos. Como é que você está se sentindo?”. Ele respondeu calmo e sereno: “Vinício eu tô todo cagado. Mas tô tranquilo!”.