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a eterna Aldeia de Gramació
No dia 06 de fevereiro, a cidade estará em festa para comemorar o dia da sua padroeira, Nossa Senhora do Desterro.
Textos: Alex Gurgel (jornalista)
Fotos: AG Sued
Há registros de que em 1882 criaram uma escola na pequena aldeia de Gramació. Antes disso, a área era semi-deserta. No livro Nomes da Terra (Sebo Vermelho Edições), Câmara Cascudo escreveu: “Em novembro de 1890, foi distrito de Canguaretama. Ao derredor, a vida continuava, plantando, colhendo, sonhando... Em abril de 1940, passou a denominar-se “Flor”, inexpressivo, banal, anti-histórico, felizmente anulado pela lei restauradora do município, restituindo-lhe o antigo nome de Vila Flor”.
Um dos primeiros núcleos colonizados por portugueses no Estado do Rio Grande do Norte foi a Aldeia Gramació. Segundo o historiador Câmara Cascudo, depois do alvará em forma de lei, em setembro de 1700, os indígenas receberam uma légua quadrada e foram aldeados sob administração de missionários jesuítas.
No caminho que leva à Barra de Cunhaú, do lado esquerdo da estrada, instalou-se a Aldeia Gramació, com caboclos, índios tupis e colonizadores portugueses. Ainda de acordo com Cascudo, o nome Vila Flor surgiu em obediência as instruções que impunham designações de localidades portuguesas às novas Vilas, como Estremoz, Arez, Principe e Portalegre.
Em 1743, foi construída a “Casa de Câmara e Cadeia”, importante exemplar arquitetônico colonial português, tombado pelo Patrimônio Histórico e Arquitetônico da União. Dois anos depois (1745), foi edificada a histórica Igreja de Nossa Senhora do Desterro, construída pelo frei jesuíta André do Sacramento.
A aldeia Gramació foi elevada a vila com o nome de Vila Flor, em obediência à Carta Régia de 3 de maio de 1755, que transformava em vilas os antigos aldeamentos indígenas. “Vila Flor é conselho do distrito de Bragança em Trás-os-Montes, em Portugal”, escreveu o historiador.
A instalação da nova vila foi feita apenas em 1769 pelo Dr. Miguel Carlos Caldeiras Castelo Branco. Nessa época, Vila Flor já experimentava um bom nível de desenvolvimento econômico, motivado por sua força na agricultura, com destaque para a produção de cana-de-açúcar.
Em Vila Flor, montou morada a família Albuquerque Maranhão, a maior oligarquia viva do Rio Grande do Norte. Conforme Cascudo, André de Albuquerque Maranhão, primo e cunhado do homônimo, chefe da Revolução de 1817, foi Capitão-Mor de Ordenança de Vila Flor e Arez, embora residisse em Estivas.
No ano de 1858 ocorreu a expulsão dos missionários jesuítas e a transferência da sede da localidade para o povoado de Uruá, que foi elevado a categoria de vila, se tornando um distrito de Canguaretama. Em dezembro de 1963, desmembrou-se de Canguaretama, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte, recebendo seu antigo nome: Vila Flor.
Vila Flor está localizada na Região Agreste do Estado, distante 83 quilômetros de Natal, onde vive uma população de aproximadamente três mil pessoas. A economia do município é baseada na pecuária e no plantio de cana-de-açúcar. Os trabalhos de confecção de cestas de esteiras, utilizando a fibra-de-coco e a palha de carnaúba, são os destaques do artesanato local.
Vila Flor ainda oferece ao visitante a história potiguar estampada na Igreja de Nossa Senhora do Desterro, no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia e na Fortificação dos Sete Buracos. No município é visível o crescimento do eco-turismo no Rio Catú, na Mata Atlântica, no Sítio Arqueológico e no Mirante Cabo do Bacopari.
O folclore de Vila Flor está representado com manifestações de Fandango e da Nau Catarineta, danças portuguesas, e são apresentadas durante as comemorações na festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora do Desterro, no dia 06 de fevereiro.

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