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Alex Gurgel (jornalista)
A pesca sempre farta dentro das lagoas e as terras de boa qualidade para o plantio de várias lavouras serviram de impulso para o progresso econômico do povoado, que até hoje se mantém baseado na agricultura, na pecuária, na pesca e também na força turística de suas praias e lagoas. Os primeiros habitantes da região de Papary, conhecida desde 1607, foram os índios Tupis. O Nome Papary originou-se de uma lagoa de pesca abundante, existente no território, ao lado das lagoas Guaraíras e Papeba. No livro "Nomes da Terra" (Editora Sebo Vermelho, Natal RN - 2006) Luís da Câmara Cascudo escreve: "Selvagens que ali demoravam, ignorantes de meios de armadilhas de pescar, organizavam pequenas balsas de madeira, amarradas em cipós; punham sobre elas ramos de cajueiros e então, aparelhados, vadeavam a lagoa e agitando com as varas, provocavam o salto do peixe 'pari' que caía entre os ramos sobre as balsas, fendo desse modo os indígenas as suas pescarias, que quer dizer 'salto de peixe'. Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome modificou para o Papary, com o qual foram denominada a Lagoa e a Vila".
Em 1703, já com a presença portuguesa, o povoado começou a erguer a igreja de Nossa Senhora do Ó, concluída somente 52 anos depois, em 1755. Foi pela Lei Provincial que o povoado desmembrou-se de São José de Mipibu, no dia 18 de fevereiro de 1852, tornando-se município com o nome de Vila Imperial de Papary. No dia 1º de fevereiro de 1890, chamou-se Vila de Papary. A atual denominação Nísia Floresta foi dada pelo Decreto-lei, em de 23 de dezembro de 1948, em homenagem à sua mais ilustre filha, a escritora Nísia Floresta.
O município de Nísia Floresta está localizado na Região Litoral Agreste do Estado, a 43 quilômetros, onde residem cerca de 20 mil pessoas. Nísia Floresta conta com a beleza da praia de Búzios, Pirangi do Sul, Barra de Tabatinga, Barreta e Camurupim. Ainda há o encantamento das lagoas de Pepeba, Boágua, Carnaúba, Carcará, Redonda, Bomfim e Ferreira. A gastronomia da cidade oferece o famoso camarão da região, prato predileto na culinária potiguar.
Conheça uma espécie de Guia Turístico de Nísia Floresta: Estação de Papary Edificada em 1881 pelos ingleses da companhia Great Western. Feita em estilo neoclássico, com arcos em estilo gótico, ela foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Meio Ambiente, em dezembro de 1984. Atualmente, abriga o restaurante Marinas Camarões. Igreja de Nossa Senhora do Ó Erguida pelos portugueses em estilo barro, a Igreja foi concluída em 1755. Num altar folheado a ouro se destacam duas imagens bem antigas, vindas de Portugal: São Benedito e a padroeira Nossa Senhora do Ó. O Gigante Baobá Um dos maiores do Brasil, com um tronco de quatro metros de diâmetros, 13 metros de circunferência e uma copa de aproximadamente 19 metros de altura, plantada em 1877 por Manuel de Moura Júnior e tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, no ano de 1965. O baobá, mundialmente conhecido pelo livro "O Pequeno Príncipe", do escritor francês Saint Exupéry, é uma árvore natural do continente africano e virou um dos ícones de Nísia Floresta. Mausoléu de Nísia Túmulo onde estão depositados os restos mortais da escritora Nísia Floresta. Foi um monumento erguido em 1909, pelo governador Alberto Maranhão. Quem foi Nísia Floresta? Ela nasceu em Papary, mais precisamente no Sítio Floresta em 1810. Filha de uma das mais importantes famílias da região, Dionísia Gonçalves Pinto, seu nome de batismo, entrou para história como uma escritora que teve coragem de pensar e defender suas idéias, consideradas revolucionárias pela sociedade conservadora da época. Ela entrou para o mundo literário com um pseudônimo que se tornou internacionalmente conhecido, o de Nísia Floresta Brasileira Augusta. A escritora de Papary tornou-se famosa, sendo admirada por muitos e questionada por outros tantos.
Em seu livro Patronos e Acadêmicos - referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras - Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”. De fato, a história e a obra de Nísia são de uma importância rara. “Infelizmente, a falta de divulgação da obra de Nísia tem sido responsável pelo enorme desconhecimento de sua vida singular e de seus livros considerados de grande valor”, diz Veríssimo. A educadora, escritora e poetisa nascida em 12 de outubro de 1810, em Papari, Rio Grande do Norte, filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com uma brasileira, Antônia Clara Freire, foi batizada como Dionísia Gonçalves Pinto, mas ficou conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nísia é o final de seu nome de batismo. Floresta, o nome do sítio onde nasceu. Brasileira é o símbolo de seu ufanismo, uma necessidade de afirmativa para quem viveu quase três décadas na Europa. Augusta é uma recordação de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, com quem se casou em 1828, pai de sua filha Lívia Augusta. Neste mesmo ano, o pai de Nísia havia sido assassinado no Recife, para onde a família havia se mudado. Em 1831, ela dá seus primeiros passos nas letras, publicando em um jornal pernambucano uma série de artigos sobre a condição feminina. Do Recife, já viúva, com a pequena Lívia e sua mãe, Nísia vai para o Rio Grande do Sul onde se instala e dirige um colégio para meninas. A Guerra dos Farrapos interrompe seus planos e Nísia resolve fixar-se no Rio de Janeiro, onde funda e dirige os colégios Brasil e Augusto, notáveis pelo alto nível de ensino. Em 1849, por recomendação médica leva sua filha, gravemente acidentada, para a Europa. Foi em Paris que morou por mais tempo. Em 1853, publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre emancipação feminina, que foi merecedor de uma apreciação favorável de Auguste Comte, pai do positivismo. Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre sua vida nesse período. Retorna para a Europa em 1875 e, três anos depois, publica seu último trabalho Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques. Nísia faleceu em Rouen, na França, aos 75 anos, a 24 de abril de 1885, de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours. Em agosto de 1954, quase 70 anos depois, seus despojos foram transladados pra o Rio Grande do Norte e levados para sua cidade natal, Papari, que já se chamava Nísia Floresta. Primeiramente foram depositados na igreja matriz, depois foram levados para um túmulo no sítio Floresta, onde ela nasceu.Sua mais completa biografia - Nísia Floresta - Vida e Obra - foi escrita por Constância Lima Duarte, em 1995. Um livro de 365 páginas, editado pela Editora Universitária.

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