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Jefferson Lira
Há 25 anos atuando com passeios de barco no litoral parnamirinense, mais especificamente na praia de Pirangi do Norte, o Marina Badauê se viu ameaçado nos últimos dias pela proibição das atividades nos parrachos que cercam as praias de Pirangi e Piranbúzios.
A empresa e mais 44 embarcações foram notificadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) depois de uma polêmica que envolveu a exploração do ecossistema. No evento conhecido como Carnaparrachos, que aconteceu no sábado, dia 30 de janeiro, a equipe do Ibama flagrou embarcações paradas na região dos parrachos e, acompanhada por policiais federais, ordenou que elas se retirassem, o que não intimidou os proprietários das lanchas, que permaneceram no local, vaiando as autoridades.
Após essa operação, o órgão ambiental reconheceu o impacto ambiental. O Marina Badauê, que inclui os parrachos no seu roteiro de passeios, receberá multa que pode variar a até R$ 50 mil por não possuir licença ambiental. Na semana passada, a reportagem do Potiguar Notícias esteve no local e verificou que as atividades não foram suspensas, mas a tradicional parada nos corais não está mais acontecendo, provisoriamente.
Segundo Gastão Cabral, proprietário do Marina Badauê, a empresa tem autorização da Capitania dos Portos e do Idema para atuar na área. “Só não temos a autorização do Ibama porque não sabíamos da necessidade de licença deles. ", explicou. Para o empresário, o Ibama precisa ter bom senso ao proibir a exploração dos parrachos. "O Marina Badauê apoia, concorda e está disposto a seguir todas regras que forem criadas para preservar os parrachos, mas eles não podem é paralisar uma atividade com mais de 20 anos", argumenta.
O chefe de fiscalização do Ibama, Robson Lopes, afirmou que em operações anteriores, os fiscais chegaram a encontrar churrasqueiras com carvão em cima de pranchas. De acordo com a assessoria de imprensa, houve um incremento de 178% no número de registro de embarcações.
Com base nesses dados, o Ibama se reuniu na última quinta-feira, dia 4, com o secretário de Turismo do Estado,Fernando Fernandes, representantes do Ministério Público Federal , representantes do Idema, representantes de agências de turismo, representantes do Marina Badauê, do Marina Pirangi e os proprietários das lanchas que costumam utilizar o local.
Segundo o advogado Sebastião Leite, representante do Marina Badauê, na reunião ficou estabelecido que a criação de uma comissão especial para se fazer um plano emergencial de ocupação do ecossistema. “O importante é que o primeiro passo foi dado para a criação da APA (Área de Proteção Ambiental) de Pirangi, em que serão delimitadas as regras de ocupação sustentável da área dos parrachos”, afirma o advogado, que explica que a situação é a mesma da exploração dos parrachos de Maracajaú, que atualmente está suspensa. Naquela época, o advogado participou das negociações, representando três das grandes empresas, dentre elas o Manoa Park.
Segundo Sebastião, é importante frisar que a intenção dos empresários é preservar a área dos parrachos, por ser um atrativo de alcance mundial, mesmo porque, com o fim dos parrachos, é o fim do turismo que envolve essa beleza natural.
Em entrevista ao programa no Alpendre do PN, pela rádio 87.7 FM, o secretário de Turismo de Parnamirim, Rogério Santiago, ressaltou que a praia de Pirangi é conhecida como a capital do verão potiguar, aumentando significamente o fluxo em vários setores, sobretudo de lanchas. “Com esse aumento, há uma ação predatória contra os parrachos, o que não pode acontecer. Nós temos que proteger a reserva natural e evitar danos, fazendo um uso sustentável” esclarece.
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