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22/02/2010 14h28min

Campestre e Alexandria

* O vento agreste me remete à figura brejeira de Chico Lopes de São José de Campestre, cujas histórias Diógenes da Cunha Lima me repassa escutadas da voz do seu saudoso pai. Chico, quando não irreverente, era um matuto esperto e gozador. Gostava de fazer conta de cabeça. “Seu Chico, quanto é 98 vezes 64”, perguntava a garotada. E aí ele respondia na ponta da língua como se estivesse hoje no programa Silvio Santos. Certa vez, lhe indagaram o óbvio do falecimento de um cidadão campestrense de cuja notícia do infausto toda a cidade já sabia: “Seu Chico o homem mesmo morreu né?”. “Que enterraram eu vi. Se morreu, eu não sei!”, responde Chico Lopes na base da tolerância zero.

* De outra feita, ocorreu um desastre com o caminhão de feirantes no qual era passageiro. Havia muito choro de familiares e amigos que procuravam saber notícias dos mortos e feridos. Uma das dúvidas era Chico Lopes. Do local do acidente, na busca das vitimas, de repente, se esgueira Chico de um leirão de uma plantação de feijão para assombro dos circunstantes: “Chico, você não morreu?”. Sem se preocupar com a pergunta, responde: “Não. Por enquanto não!”.

* Proprietário de uma pequena fazenda, Chico Lopes criava algumas cabeças de gado. Tomou conhecimento que o seu vaqueiro estava lhe furtando leite, nas madrugadas silenciosas do curral em frente a sua residência.
Daí prá frente, passou a pastorar o “incômodo sócio”. Na aurora de outro dia, plantado à porta de sua casa, ouviu o rangido da porteira do curral e saiu na direção do previsto. Ao chegar, deparou-se com o vaqueiro com imensa lata de leite à cabeça e de tão trêmulo não ousou falar nada. Chico Lopes acalmou-o: “Não se espante. Só vim trazer o jerimum prá você tomar com o leite”. A ironia, para Chico, era o melhor corretivo.

* Nas suas andanças políticas pelo Oeste, João Faustino Ferreira Neto trouxe-me uma história de um correligionário singular do doutor Mousinho., líder político de Alexandria. Como médico, atendia aos seus correligionários em toda parte. Um deles, foi se queixar de uma rebelde prisão de ventre. O médico receitou-lhe uma laxativo pronto e eficaz. Dia seguinte, o enfezado eleitor retornou para dizer que o remédio não fizera efeito. Doutor Mousinho aviou uma receita de três potentes comprimidos afirmando-lhe que, dessa vez, daria certo. Desolado, após uma noite indormida de busca do reflexo defecatório, queixou-se:
“Doutor, eu estou mesmo entupido. Tenho que ser operado”. A impactação fecal do paciente era famosa na cidade. Mousinho, impressionado, passou a examinar detidamente o paciente e detectou um fato estranho que lhe fez formular uma pergunta: “Quando você se senta no aparelho, onde você acomoda essa enorme genitália?”. “Fica dentro da tampa mesmo”, respondeu o obstruído doente. “Então”, diagnosticou o doutor Mousinho, “coloque ela pra fora da tampa. Seu problema é “cucomêdo”. E encerrou a consulta.

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