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18/01/2010 11h36min

Dramas da vida comum

* Zezinho da Utinga, município de São Gonçalo do Amarante, acariciava o sonho de um dia, ser vereador. Sempre assistia às sessões, e de celular em punho, vivia fazendo contatos com amigos e futuros eleitores. Mas descobriu que tinha um “sócio”. Sua esposa enfeitava-lhe a cabeça. Entrou em depressão. O coitado só pensava em morte, de diversas formas. Num dia de desabafo, em conversa com um amigo, sentenciou: “Você já ouviu falar em casos de pessoas que “morrem mas não morrem? Aqueles que são enterrados, mas fica a dúvida?”. “Pois eu quero um favor seu. Caso eu morra de repente, sem que ninguém veja, bote o meu celular debaixo do meu braço...” E com ira, concluiu: “Qualquer coisa, eu ligo pra alguém. Só não ligo pra sacana de minha mulher!!”. “E nem pra mim!”, resumiu o confidente e sem futuro.

* Um coletivo da Zona Norte fazia seu percurso normal lotadíssimo, o que não é novidade. O velho Carrapicho, conhecidíssimo pela irreverência, e, por se apresentar como grande amigo do saudoso senador Dinarte Mariz, viajava em pé no maior aperto. Uma moça compadeceu-se: “Venha sentar aqui. O senhor é preferencial”. Carrapicho irritado, desabafou de forma esdrúxula: “Obrigado minha filha. Não dá pra nós trocarmos de lugar. Imagine, que eu tô aqui com o bilolão entra não entra no orintimbó desse velho. E o pior é que eu tenho que ter cuidado com o meu também, senão, entra alguma coisa. Nesse balanço de arruma carga, tudo pode acontecer. Fique à vontade”. Bota irreverência nisso.

* A boemia do século passado, vivia passando à frente as piadas, as estórias e as invencionices creditadas aos portugueses Bocage e Luiz de Camões. O Assu de Renato Caldas, com sua alta dose de ironia, dispensava os importados lusitanos. Certo final de ano, sabendo do gosto do poeta por fumo, um amigo deu-lhe de presente, cerca de um quilo de fumo de rolo, num bonito papel de presente. “Feliz Ano Novo, Renato!”, festejou o amigo. Renato, sob o acre cheiro do produto de Arapiraca, Alagoas, devolveu secamente: “Feliz Ano Novo pra você também, e, todo aquele que for da família...”. A ficha demorou um pouco, mas caiu. Um presente de grego.

* O prefeito Chico da Bomba, de João Câmara, famoso pelo seu jeito de ser e de dizer as coisas, certa noite, verberava para um grupo de amigos: “Quando Deus nos deu dois “olhos na frente”, é porque é pra nós olhar pra frente. Seguir em frente!”. Um engraçado resolveu bagunçar: “Mas prefeito, nós num tem um “olho atrás”?”. Chico não se deu por achado, e, explicou com muita seriedade e compenetração: “É meu caro, porém esse é cego! Não conta!”.

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