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07/12/2009 15h19min

A política da cultura ou a cultura da política?

O Rio Grande do Norte sempre teve como referência de sua cultura a tradição na política. Podemos verificar as manifestações culturais como integrantes de um sistema político baseado nas oligarquias, coronelismo e nas grandes disparidades sociais existentes.

Carnatal? Festival de Quadrilhas Juninas? MADA? Afinal, o que realmente caracteriza a cultura do RN? As manifestações populares não espontâneas, oferecidas ao povo como parte do jogo politiqueiro; ou as expressões mais populares e primitivas, como o Coco de Zambê e as cantigas de Dona Militana?

Outro segmento social entende como cultura as produções e discursos letrados, advindos da intelectualidade que se faz presente nas cadeiras da Academia Norte-rio-grandense de Letras e seus simpatizantes, pois é lá que se encontram imortalizados ícones da cultura potiguar, como o mestre Câmara Cascudo. O fato é que quanto mais formos buscar os significados do termo em questão iremos concluir que “toda esta preocupação não produziu uma definição clara e aceita por todos acerca do que é cultura” (José Luis dos Santos).

Embora sem abordar diretamente a noção de cultura, Karl Marx teve idéias que fundamentaram o modo como entendemos o termo atualmente. Ele entendia que os homens é que fazem a própria história ao mesmo tempo em que são feitos por ela. Porém, eles constroem sua história sem ter consciência de suas reais condições de existência. Um exemplo disso em meio à cultura do RN acontece no âmbito da política partidária tradicional, onde grande parte do eleitorado se omite e passa a figurar no universo político como meros fantoches nas mãos dos grupos dominantes, de modo que mesmo estando inseridos no processo e sendo ativos dentro das regras do jogo, os eleitores terminam por fazer parte da história sem ter a consciência plena de suas reais condições nesse contexto.

Outro aspecto relevante à noção de cultura, do ponto de vista Marxista, é a abordagem relativa a permanente luta entre classes sociais, na qual a cultura seria utilizada como instrumento de dominação. Essas idéias se encaixam perfeitamente na estrutura política desenvolvida do Rio Grande do Norte e. Um exemplo claro disso seria a utilização dos eventos de maior repercussão popular, a exemplo do Carnatal e Festival de Quadrilhas Juninas, como plataforma para obtenção de resultados positivos em campanhas políticas recentes. Vale a lembrança que estes festejos foram forjados pelas classes dominantes e não surgiram a partir de fenômenos espontâneos da cultura potiguar. Sendo assim, tratam-se de exemplos nítidos os quais demonstram de forma clara a dominação cultural das elites, sempre interessadas em se perpetuar no poder, negando aos dominados o direito à própria imagem e à consciência de sua situação real de explorados.

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