Doleiro afirma ter pago propina a procurador da Lava Jato

02/12/2019


 
A Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro interceptou conversas do doleiro Dário Messer com sua namorada, Myra Athayde, nas quais ele afirma que pagava propinas mensais ao procurador da República e integrante da força-tarefa da operação Lava Jato em Curitiba Januário Paludo.
 
Os valores seriam referentes a uma suposta proteção ao "doleiro dos doleiros" em investigações sobre suas atividades ilegais. As informações foram obtidas durante as investigações que embasaram a operação Patrón, última fase da Lava Jato, que tinha Messer como alvo principal.
 
Um relatório sobre as mensagens trocadas entre Messer e Myra foi elaborado pela Polícia Federal em outubro, pedindo providências sobre o caso, considerado grave, pela corporação.
 
Nas conversas, Messer conta a Myra sobre o andamento das investigações que correm contra ele. O doleiro explica que uma das testemunhas de acusação iria se encontrar com Paludo, procurador que seria "destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês".
 
De acordo com o Uol, a PF acredita que os "meninos" mencionados são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca, dois funcionários do doleiro que o auxiliam em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. Eles foram presos e agora são delatores.
 
Em depoimentos prestados à força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro em 2018, Tony e Juca afirmaram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no MP. O advogado nega as acusações.
 
Procurada pelo Uol, a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro informou que já enviou o relatório à PGR (Procuradoria-Geral da República), órgão que deverá definir as providências a serem tomadas. Também consultada pela reportagem, a força-tarefa de Curitiba afirma que Paludo preferiu não se manifestar. A defesa do doleiro também não quis se pronunciar ao Uol por se tratar de uma investigação sigilosa.
 

Fonte: Congresso Em Foco