Pausa no relato de viagem para a reafirmação de um povo

20/11/2019

Por: Thiago Medeiros
 
Tenho seis tatuagens. Três fazem referência às minhas origens. Caruaru... Pernambuco... O Nordeste...
 
Lembro bem o motivo da última. Estava em São Paulo, em frente ao MASP, quando vi uma manifestação neonazista, aos gritos de que o Nordeste retornasse às próprias mães - elas, obviamente, difamadas em sua sacralidade do parto.
 
Estavam a dez metros de onde eu estava, e lembro o medo que tive de que ouvissem meu sotaque - orgulhosamente entrego minha terra num simples bom dia.
 
Depois, ao me afastar, lembro da vergonha que senti por não fazer nada. Afinal, gado que precisa estar em grupo pra mugir é porque tem medo do voo solitário de um Carcará.
 
Então, marquei minha pele no outro dia, ainda em SP, com o termo mais nordestino que pudesse lembrar. O Raio da Silibrina. Era uma promessa de nunca mais me esconder diante de uma injustiça, seja ela qual for.
 
Nunca tive talento para complexo de vira-lata... Nunca tive vontade de sair da minha terra - isso inclui o Brasil... Nunca rebaixei minha cultura a qualquer modelo de importação gringo...
 
Muda tudo combater o trato estereotipado que o líder miliciano refere-se ao Nordeste, bem como seu séquito de renitentes bajuladores - os oprimidos que legitimam as ações do opressor estão em todo lugar...
 
Muda tudo afirmar-se nordestinamente, de Caruaru, do Agreste - há mais que sertão e praia por aqui, creiam -, de Pernambuco e, enfim, brasileiro... E então... Latinos... Americanos - estadunidenses jamais podem tirar o nosso direito de sermos Americanos, somos um continente, não eles...