Giovana Damaceno: "As editoras independentes abriram espaços para as mulheres"

05/11/2019

Por: Cefas Carvalho
Foto: Cefas Carvalho
 
 
Jornalista de Volta Redonda, cidade do estado do Rio de Janeiro, Giovana Damaceno é escritora e uma das participantes do movimento coletivo de mulheres envolvidas com a escrita Mulherio das Letras, que realizou terceiro encontro nacional em Natal, entre a sexta, 1 e o sábado 3 de novembro. Blogueira e autora de diversos livros, entre eles, "Do lado esquerdo do peito" (Editora Penalux, 2013), Giovana concedeu entrevista ao Portal Potiguar Notícias, onde falou sobre o movimento, literatura e mercado editorial. Confira:
 
Qual a importância do movimento Mulherio das Letras?
 
A importância é reunir mesmo as mulheres! Sempre fomos alijadas do mercado editorial, sempre tivemos visibilidade menor do que os homens. Precisávamos nos juntar, nos conhecer umas as outras para a partir dali ter uma direção sobre o que fazer. O importante era estarmos juntas, conversar, trocar ideias, livros e projetos, e isso já é grande!
 
O movimento já está em seu terceiro encontro nacional. Como avalia esse fato?
 
É um movimento que cresce! Vai se formatando cada vez mais como movimento organizado. E lembro que o nome é Movimento Feminista Literário Mulherio das Letras. Não se limita a acontecer uma vez por ano, ele acontece em diversos lugares o ano inteiro, o encontro é o clímax! Posso afirmar que Mulherio vai se realizando como movimento coletivo.
 
Como avalia o papel das editoras pequenas, médias e independentes para a literatura produzida por mulheres?
 
É notável a quantidade de mulheres que passou a publicar, a ter maior visibilidade depois do surgimento destas editoras independentes, de pequeno e médio porte. É visível esse fato. As editoras independentes não nos recusam, nos dão visibilidade, valorizam o nosso trabalho enquanto as grandes editoras parecem facilitar o acesso para os homens. As editoras independentes abriram para as mulheres, nos tratam com respeito e profissionalismo. Sou uma autora Penalux, lancei pela editora, foi uma excelente experiência. Nós, mulheres lutamos por um espaço, as editoras pequenas e médias também lutam por um espaço, é uma troca de experiências fundamental.