João Gomes Sobrinho: Um poeta mestre na poesia!

06/11/2019

Por: Minerva Gomes
Foto: Arquivo da família
 
Conhecido como o poeta Xexéu, João Gomes Sobrinho recebeu esse apelido devido cantar muito e por essa razão recebeu o apelido de um pássaro cantador.
 
Nascido no sítio Lages, município de Santo Antônio do salto da onça.
 
Seus pais Eliseu Gomes de Carvalho e Genuína Gomes de Carvalho. Filhos de agricultor, Xexéu lembra de sua infância com felicidade e sendo filho único seus pais faziam todos os seus gostos. Xexéu ajudava seus pais na roça e nos momentos livres pedia para quem passasse por ali que lhe ensinassem o B-á-BA, Pois já andava com a cartilha do ABC de baixo de seu chapéu.
 
Xexéu  sempre ganhava cordel que seu pai trazia da feira e lia muito. E vez ou outra juntava multidões em sua casa para lhe ouvir cantar os cordéis e era um momento admirável para todos. Em 1947 aos 9 anos de idade o menino já iniciava suas primeiras estrofes estreando no mundo da poesia como poeta. O poeta já lia muito Machado de Assis, Cassimiro de Abreu e Castro Alves. Tocava viola, cantava e fazia versos. Seu primeiro poema foi para um ciclista que em uma maratona passava por Santo Antônio.
 
Xexéu frequentava muitas cantorias e entre elas a de um velho conhecido por nome de João Moura o qual o chamou para cantar viola com ele, "Esse momento era de total emoção para mim e para os demais que me assistiam. Um menino de nove anos cantando viola com um senhor!. Mas tarde meu pai me presenteou com uma viola e daí por diante já era um cantador de viola", lembrava. 
 
Nestor Marinho, Oiticica e Chico Pereira e Joao Constantino, Cantores renomados na época.
 
Xexéu com dificuldades de ver sua namorada Margarida e futura mãe de seus filhos devido uma forte chuva e um riacho que os separavam, e triste logo fez um verso...
 
Daqui pra onde ela estar
Tem um riacho no meio
Que tá danado de cheio
Nao deixa ninguém passar
Ela não sabe nadar
Se vinher morre afogada
Eu não possuo jangada
Se eu for não volto vivo
E as águas me fez cativo
Não deixa ver minha amada.
 
Xexéu foi reconhecido como patrimônio vivo da cultura potiguar, mestre na poesia, cordelista e cantador de viola, aprendeu a tocar rabeca dos 71 anos e descreve seu universo cultural, sua rotina na roça descrevendo a beleza do sertão nordestino, seu aprendizado poético vem da natureza, onde tudo tem melodia, poesia, cheiro, ou seja há um conceito de poesia que estar profundamente vinculado as belezas naturais do Nordeste.
 
O poeta falava que seu trabalho braçal não se contrapõe ao conhecimento poético ou ao saber filosófico. Em 1986 xexeu fica viúvo e foi nos braços de seus 11 filhos onde encontrou forças para suportar a dor da perda. Cacau teve mais 8 filhos e 2 adotivo de sua segunda mulher.
 
O poeta tem 400 cordéis impresso e CDs além de ter lançado recentemente seu livro contas da manhã.
 
O poeta nos deixou aos 29 de maio de 2019 devido a um aneurisma em sua veia aorta.
 
De origem humilde morou toda sua vida em uma humilde casa de taipa  a qual sua família preserva a memória do poeta em sua originalidade.