Cuidado farmacêutico em crianças e adolescentes e uso racional de medicamentos

17/10/2019

Por: Isabelle Resende
 
O medicamento nas práticas de saúde tem finalidades específicas que atuam na enfermidade clínica de cada paciente. Eles devem ser usados na dose correta e no menor tempo, para obter as respostas terapêuticas desejadas. São utilizados para tratar, diagnosticar ou prevenir doenças. Mesmo que a terapia medicamentosa possua efetividade, se não for usada de forma correta, pode ocasionar problemas relacionados ao medicamento. Um deles são os efeitos adversos, os quais já vêm descritos na bula e são advertidos por sua possibilidade de acontecer.
 
A intensidade e o grau dos efeitos variam em cada paciente. Nas crianças e adolescentes em vigência de quimioterapia, esses eventos precisam ser monitorados e contidos, para que esse número de internações possa ser controlado e o paciente tenha como dar continuidade ao seu tratamento de quimioterapia sem interrupções.
 
Até mesmo pelo fato de que essas reações aos medicamentos, se não forem tratadas, podem levar o paciente a risco de vida. Os cuidados e orientações do medicamento deverão ser realizados pelo farmacêutico em uma linguagem de fácil compreensão, pois estudos científicos já comprovam que o agravo dos pacientes está relacionado a pouca informação e, algumas vezes, ao equívoco da informação fornecida a eles e seus respectivos acompanhantes.
 
O cuidado farmacêutico no tratamento de crianças e adolescentes possibilita minimizar problemas relacionados aos medicamentos - intervenções imediatas que melhoram a adesão terapêutica do paciente, reduz os custos, os eventos adversos e diminuem a polifarmácia. A Resolução do Conselho Federal de Farmácia nº 357/01, oficializa o papel clínico do farmacêutico na função de orientar o paciente quanto ao uso racional e as interações medicamentosas.
 
Estudos comprovam que a automedicação em crianças tem números elevados, testificando a necessidade de orientação e conscientização do uso racional de medicamentos em crianças, por parte dos acompanhantes, que podemos chamar de ‘cuidadores’.
 
É importante ressaltar que durante o tratamento oncológico a dose terapêutica é muito próxima da dose tóxica e o uso desenfreado de medicamentos pode mascarar uma doença crônica ou até algo mais grave. Por isso, se faz necessário a presença do farmacêutico no cuidado com as crianças e adolescentes durante todo o período de tratamento, tendo em vista o uso de muitas medicações a longo prazo.
 
Na Casa Durval Paiva, o farmacêutico tem como uma das suas atuações avaliar as prescrições médicas e orientar em relação à via de administração e à dose. Dependendo do grau de instrução e da idade do assistido ou daquele que o acompanha, são montadas estratégias terapêuticas medicamentosas fora do hospital, no caso domiciliar, para que se obtenha continuidade no tratamento.