Prefeitura de Parnamirim mantém contrato com empresa investigada na Cidade Luz

03/06/2019

Por: Hugo Vieira
A empresa Fgtech que presta serviços na iluminação pública de Parnamirim, mantém um contrato com o executivo municipal no valor de R$ 1.913.990,04, a empresa foi uma das investigadas na operação Cidade Luz, o dono, José Guilherme Cavalcanti de Mendonça e Silva, foi um dos sócios da Enertec - a empresa é acusada pelo MPRN de montar um esquema criminoso em Parnamirim no âmbito da Secretaria de Serviços Urbanos. 
 
O atual contrato mantido pela prefeitura de Parnamirim com a Fgtech foi firmado em outubro de 2018, e se encerra no próximo dia 30 de setembro. No portal da transparência, a empresa está habilitada a prestar os serviços no Parque de Iluminação Pública do Município de Parnamirim, atividades preventivas, correção e modernização do sistema, além de iluminação decorativas. 
 
O contrato milionário foi assinado quatro meses depois da operação Curto Circuito, à época os promotores apontaram que a Enertec manipulava licitações para sair vitoriosa na prestação dos serviços. O principal sócio da Enertec, Maurício Ricardo Guerra, foi um dos presos na operação.
 
José Guilherme Cavalcanti, era um dos sócios da Enertec quando foi deflagrada a primeira fase da operação em Natal. O irmão dele, Jorge Mendonça já atuou como diretor da mesma empresa, segundo os altos da operação "Cidade Luz". 
 
Durante as investigações na capital, os promotores requisitaram à Justiça o sequestro de bens no valor de R$ 240.039,35 de José Cavalcanti, Jorge Cavalcanti foi um dos 15 presos na época. 
 
Os irmãos José e Jorge Cavalcanti atuavam através do consórcio SERVTECH, as investigações apontaram que após o fim do contrato entre a prefeitura do Natal e a Enertec se encerrar em 2014. Foram feitas sucessivas contratações emergenciais com dispensa de licitação. As empresas ligadas aos irmãos obtiveram cerca de R$ 2,3 milhões, em um cálculo feito pela reportagem. Um dos contratos foi através do consórcio ALCSERV que foi formado pelas empresas Servlight (de Jorge Cavalcanti) e AlcLog. O MPRN aponta que todas as contratações emergenciais foram superfaturadas. 
 
As suspeitas contra a empresa Fgtech ainda se repetiram no município de Caicó. Em agosto de 2017, O MPRN deflagrou a "Operação Blackout", as investigações apontaram que a empresa foi ultilizada para  "dar uma aparência de competitividade ao pregão realizado para contratação de empesa de iluminação pública, para simular uma concorrência na disputa" no município do Seridó.
 
Curto Circuito
 
Os promotores da comarca de Natal perceberam movimentações financeiras atípicas em uma das contas do filho do ex-secretário de serviços urbanos de Parnamirim, Naur Ferreira. O compartilhamento de provas daria origem a operação "Curto Circuito", desdobramento da Cidade Luz em Parnamirim que completará um ano neste mês. 
 
Em Parnamirim, o sócio da Enertec, Maurício Guerra, utilizava as empresas BKL Construções e Vasconcelos Arquitetura para direcionar as licitações e obter vitória. As investigações apontaram que o empresário tinha o suporte de ex-servidores da Secretaria de Serviços Urbanos, incluído o ex-secretário Naur Ferreira e o então secretário adjunto da pasta, Gaspar de Lemos. Ambos foram presos e respondem ao processo em liberdade. 
 
O MPRN aponta os crimes de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro na cidade da Grande Natal. 
 
Atualmente, José Cavalcanti e Maurício Ricardo Guerra não são mais sócios. A Enertec, os consórcios ALCSERV e SERVTECH estão desativados.
 
A reportagem tentou durante a tarde desta segunda-feira (03) entrar em contato com a Prefeitura de Parnamirim, mas as tentativas de contato não foram bem sucedidas.