Andrea Nogueira e o abraço acolhedor de Parnamirim

19/06/2018

Por: Andrea Nogueira
Em julho de 2008, chegando ao Rio Grande do Norte, não tinha ideia do poder acolhedor desse Estado. Escolhendo onde morar, encontrei em Parnamirim um aconchego familiar. Num bairro onde ainda existiam granjas próximas de residências, o contato com animais silvestres, um raro silêncio urbano, serviços públicos de fácil acesso... ali seria construído o meu novo lar. Até os 14 anos de idade eu morei na zona rural do sertão da Paraíba. Estar envolta de paisagens naturais sempre me trouxe calma e
acalanto. Parnamirim me devolveu a paz da minha infância.
 
Assim mesmo canta seu hino: “tuas dunas margeiam teu mar, verdes matas a lhes recobrir, são muralhas que já te protegem e pro futuro que então há de vir. Parnamirim, Parnamirim, Parnamirim...”.
 
Chegando aqui, não demorou muito para eu ver todas as ruas do meu bairro calçadas. Pertinho de mim tenho um bom posto de saúde e escolas públicas bem cuidadas. Tenho supermercados, farmácias e ruas tranquilas pra caminhar à tardinha. Sinto-me acolhida e feliz.
 
Entre Natal e Parnamirim meu labor me leva a passear, mas é no Trampolim da Vitória que me recolho pra descansar. Um município com a modéstia de deixar seu vizinho levar a fama das praias lindas, do cajueiro
gigante, das belezas turísticas. A cidade que se entrelaça à Capital Norte Rio- Grandense, tornando-a ainda mais querida pelos brasileiros: essa é Parnamirim.
 
Em 2014, arrancaram-nos um aeroporto (um dos melhores do país), como quem tira o filho dos braços de sua mãe. Mesmo assim, Parnamirim se manteve de pé. Presenciei a angustia e o inconformismo dos cidadãos parnamirinenses por perderam um bem tão precioso. Até hoje escuto os lamentos de quem usufruiu do saudoso “Augusto Severo” seja dele tirando o seu sustento, seja utilizando seus serviços, ou simplesmente porque eram cheios de orgulho do que tinham em casa. Foi com a coragem de enfrentar os
atropelos da má política, que os parnamirinenses travaram uma peleja pela recuperação de sua dignidade. E não é pra menos que até hoje mantem-se, o Município, no pódio do crescimento econômico do Rio Grande do Norte. É,
 
ainda, como canta o hino: “que haja sempre a paz, não a guerra e o progresso assim reinará”.
 
No exercício da advocacia pude testemunhar as transformações estruturais do sistema jurídico de Parnamirim. A justiça estadual, antes dividida em vários prédios, agora está estruturada no Fórum Tabelião Otávio Gomes de Castro, inaugurado no ano 2016. Bom para os cidadãos, bom para os advogados, bom para os servidores públicos.
 
No exercício da docência, tive o privilégio de começar numa Faculdade de Parnamirim. Lecionando Direito do Trabalho fiz muitos amigos norte rio-grandenses, ensinei, aprendi, cresci pessoal e profissionalmente.
Viver aqui por tantos anos me fez perceber que, ao contrario do que muitos escrevem, Paranmirim não é a extensão de outro município. Ele é parte essencial para outro, sem ser do outro. É energia para o outro, sem ser do outro. Somos, portanto, de forma particular, a razão, a fonte e o motivo para um grande município continuar realmente grande.
 
Acredito no processo eleitoral e que sou autora da minha história no sentido da responsabilidade com o outro. E por ter essa consciência política e eleitoral voto onde resido, de fato. A transferência do meu titulo de eleitor veio junto com minhas malas.
 
Aqui fui abençoada com a maternidade e o meu filho, já com 8 anos de idade, estuda numa escola dessa amada cidade.
 
Com naturalidade de cidade Paraibana, sinto o aconchego experimental da naturalidade Parnamirinense. Sou cidadã multi-natural, com cidade biológica e cidade adotiva. Todo meu amor à Parnamirim/RN.
 
17/06/2018
Andrea Nogueira