Parnamirim: Um pouco de minhas vivências...

13/06/2018

Por: Gutenberg Costa
Morei cerca de 30 anos nas “Terras de Manoel Machado”, o português, comerciante em Natal. Vivi precisamente na parte que como chamavam, de “NEM”, que nem era Natal e nem era Parnamirim, mas Nova Parnamirim. Cheguei ali antes da modernização das terras “Maria Lacerda e Abel Cabral”. Eram sítios, granjas e matas por todos os lados. Com o tempo veio o progresso e consequentemente as suas atreladas mazelas já conhecidas.
 
Neste tempo, participei etilicamente de muita boemia em seus bares, botecos e restaurantes. Do quebra osso, Cantinho Sertanejo, Bar de “Sêo” Aluizio, Zumbi, Escondidinho, Boteco, Caixa Preta, entre outros. Assistia também shows do antigo Clube da COSERN, que zoava quase todas as sextas-feiras e sábados. Reginaldo Rossi. Eliane, Agnaldo Timóteo...
 
Aos sábados pela manhã costumeiramente ia a feira de Parnamirim no bairro de Santos Reis. Feira, mercado novo e bares com comidas típicas. Muitas conversas e prosas com feirantes. Numa das campanhas política na dita feira, encontrei a saudosa Lurdes Jipão, candidata a vereadora (ano 2000). A mesma alegremente entregou-me seu “santinho” e só não obteve o meu voto, porque sempre fui eleitor em Natal.
 
Já no mercado velho e suas imediações, lembramos de Dinarte com seu ponto de bar, hoje P.P.A, que fica vizinho ao baiano. A fava de Joca e suas garrafas antigas de cachaças. Os cafés de dona Fátima e no outro lado o de “Sêo” Fernando. Ainda me recordo do ponto que houve por anos de “Sêo” Geraldo, que vendia de freio pra gato, até suspensórios para cobras. Bunjingangas e catrevagens para todos os preços e gostos.
 
Atualmente dedico um dia por semana, para minha sossegada peregrinação pelos sebos dos queridos amigos; Vicente Januário, Magno Arlindo e o místico “irmãozinho”. Destes, sempre garimpo raridades literárias. 
 
 E pra encerrar essa conversa comprida, digo que hoje, aposentado, respiro o ar abençoado das terras de dona Dionísia. (Nísia Floresta). Não posso me separar espiritualmente de três cidades: Pendências, Natal e Parnamirim.     Aonde quer eu vá, como diria minha saudosa mãe, dona Estela: “Aonde for carregue na mala, o que for bom meu filho”. Por tanto carrego na lembrança e na alma as conversas, as mungangas dos tipos populares e o saber do povo destes três lugares referidos.
                                                                                         
Mês junino de 2018
Gutenberg Costa