Agripino e o temor de ficar sem mandato a partir de 2019

16/05/2018

Por: Cefas Carvalho
Senador há três mandatos, José Agripino Mais (DEM) se consolidou como um dos maiores líderes políticos potiguares e conseguiu renome nacional como presidente do Democratas, antigo PFL, antigo PDS, que no frigir dos ovos era a Arena do regime Militar. Eleição após eleição, se sustenta no Senado com o recall eleitoral do sobrenome Maia e da postura conservadora.
 
Contudo, faltando cinco meses para a eleição, as hostes agripinistas soaram o sinal de alerta. Mesmo com duas vagas a disputar para o Senado, a recondução do democrata a Brasília não parece tão tranquila nem viável como há meses e como nos pleitos anteriores.
 
Agripino faz "casadinha" com o também senador Garibaldi Alves Filho (MDB), assim como ele ex-governador e com peso nacional.
 
Acontece que nos últimos anos Garibaldi não se viu envolvido em escândalos de corrupção nacionais, como Agripino, que é réu do STF e foi alvo de denúncia no programa Fantástico, da Rede Globo.
 
Além disso, Garibaldi tem a estrutura do MDB no interior e o peso do nome Alves. Agripino não tem tanta sustentação com o DEM, e o nome da família se resume atualmente a ele próprio e ao filho Felipe Maia, que faz mandato correto, mas, sem brilho como deputado federal.
 
Do outro lado a disputa, a deputada Zenaide Maia (PHS) aparece como "novidade" para os eleitores e encarna o perfil progressista antirreformas e a favor dos trabalhadores, discurso em que Agripino e Garibaldi serão emparedados.
 
Quem analisa a frio a política potiguar percebe que Zenaide tem amplas chances de conseguir uma das duas vagas em disputa, principalmente em um cenário com Lula liderando as pesquisas para presidente e Fátima Bezerra (PT) liderando para o Governo do RN.
 
Desta forma, sobraria a Garibaldi e Agripino lutar por uma vaga. Ainda que pleiteiem ao eleitor o voto casado como fizeram em 2010 juntos e contra Wilma de Faria, com êxito. Mas, a circunstância era diferente e o eleitor via Wilma no mesmo espectro dos dois, o que não acontece agora com Zenaide.
 
Agripino e sua assessoria sabe que em situações normais Garibaldi tem mais votos que ele, ainda que batalhe o voto casado.
 
E também sabe que, sem foto privilegiado, seus processos terão atenção maior por parte do MP e da mídia.
 
Sinal de alerta ligado, portanto, no agripinismo. E tentativa de formular uma estratégia para enfrentar Zenaide e administrar o favoritismo de Garibaldi.