Parnamirim-RN e Eu

24/04/2018

Por: Tita Holanda
Foto: Redação do PN
Minha mãe Maria Holanda, grávida, prestes a parir, subiu numas pedras amarroadas armazenadas no quintal da nossa casa para estender roupas no varal, escorregou numa delas, entrou em trabalho de parto e assim, eu, professor Tita Holanda, veio ao mundo, dia 10 de junho de 1956, claro, com as bênçãos de Deus. 
 
Só dois anos e alguns meses depois a Vila de  Parnamirim-RN, foi elevada a categoria de cidade, com a emancipação em 17 de dezembro de 1958. 
 
Minha primeira certidão de nascimento, a original, constava, nascido na Vila de Parnamirm, Natal-RN. 
 
Meu pai militar e por dever de ofício foi servir em outros estados. Passei alguns anos fora.
 
Morria de saudade da vida que levava aqui e dos amigos, apesar de bem criancinha. Minha maior alegria era encontrar alguém de Parnamirim-RN. 
 
As vezes me convenço que nasci adulto, pelo fato de reter na memória lembranças de minha vida de quando ainda gatinhava. Devido a essa caracterisca própria e muito especial, considero que minha relação de amor com Parnamirim-RN, se inicia no instante que nasci.
 
Acredito saber as razões pelas quais minha cidade nunca foi capaz de garantir felicidade aos seus moradores. Acredito saber identificar os responsáveis e os fatores que transformaram minha cidade num grande favelão que é hoje, incapaz de atender satisfatoriamente as necessidades de seus cidadãos. 
 
Há uma nuvem negra estacionada sobre o céu de Parnamirim-RN desde sua fundação. Ao contrário do que possa parecer, do que muitos pensam, nunca possuimos céu de brigadeiro.
 
Nossa origem como cidade está, intrinsicamente, ligada a segunda grande guerra, talvez a maior tragédia de toda história humana. Por si só, já um estigma.
 
Forças nazistas sob o comando de Adolpho Hitler, conquistaram o norte da África com objetivo de alcançar o continente Americano via rota Dakar-Senegal/Natal-Brasil, lembrando se tratar da menor distância entre os dois continentes, americano e africano. Tome mais estigmas negativos e com força do mal. Esse conjunto de estigmas rondam sobre nossa Parnamirim-RN, da origem aos dias de hoje, e em todos os setores, econômico, social, religioso, cultural, sobretudo, o politico, este uma verdadeira catástrofe, prefeitos e vereadores, em todos os tempos, sem exceção, em nada, em absolutamente nada, desde a origem, contribuíram com o desenvolvimento e o crescimento de Parnamirim-RN, nenhuma ação desses, sequer,, pelo menos, vislumbrando a possibilidade de transformá-la numa cidade capaz de oferecer qualidade de vida aos moradores. Nunca se viu. Não adianta pesquisar, não encontraremos nada a esse respeito.
 
O estágio de desenvolvimento que estamos no momento, se que podemos falar assim, se deve unicamente aos fatores naturais: a localização geografica, litoral, planicie de tabuleiro, rios  lagoas, lençóis freáticos e poços artesianos, ventos, etc. E nunca, jamais orientado por políticas públicas de nossos ineficientes prefeitos e vereadores. Nossos agentes políticos foram e continuam sendo comprometidos com uma aliança espúria entre executivo-legislativo, de tal maneira que seus representantes e amigos, usufluam dos mais elevados privilégios e mordomias, renegando aos munícipes direitos humanos básicos: saúde, educação, segurança, etc. Lembrando Pasárgada de Manuel Bandeira.
 
A migração é outro aspectos a ser avaliado com muita cautela dado ao fato dos migrantes manter relações políticas enraizadas, muito maior, com suas cidades e políticos de origem, dando pouco importância a politica local, sobretudo, no exercício da cidadania.  
 
A ausência de políticas públicas direcionadas ao atendimento das necessidades das pessoas  e da própria cidade, é sem dúvida alguma o que de pior existe em Parnamirim-RN. 
 
Apesar da idade avançada continuarei compondo com os que amam Parnamirim-RN, resistindo as mazelas causadoras de tanto mal aos homens e mulheres de nosso munícipio e afastar em defitivo a nuvem negra que paira sob nosso céu para longe.