Pastoril político repete coreografia da dança do atraso

16/04/2018

Por: Carlos Santos
De passagem por Mossoró no fim de semana, a senadora e governadorável Fátima Bezerra (PT) participou de evento político e cumpriu outros compromissos na cidade. Entre eles, concedeu entrevistas à imprensa.
 
Em conversa com o jornalista Bruno Barreto, por exemplo, tentou explicar o porquê de se manter equidistante de temas estaduais, priorizando politica nacional e questiúnculas partidárias (como luta pró-Lula). Não convenceu.
 
Também se esquivou de propostas e ideias para enfrentar os principais problemas do RN.
 
“O PT está debruçado junto a técnicos e especialistas de diversas áreas que realizam um levantamento minucioso da situação do Estado. Precisamos saber, por exemplo, os gargalos da arrecadação, o diagnóstico da folha de pessoal, capacidade de investimento, políticas públicas em andamento, em especial nas áreas de Segurança, Saúde, Educação, etc.”, disse a senadora.
 
“De posse dessas informações, vamos dialogar com os nossos aliados e os diversos segmentos da sociedade e, aí sim, formataremos uma proposta de Governo ao povo do Rio Grande do Norte”, emendou ela.
 
A senadora, como qualquer outro pré-candidato ao governo, não tem remédio para os males da gestão estadual. A retórica de estudar e ouvir, lembra o atual governante e antecessores. “Estudam”, prometem e fazem o contrário.
 
Ninguém deve estranhar que tenhamos chegado a isso.
 
O que mais assusta em relação ao futuro do estado é esse lugar-comum dos discursos e das ações (ou omissões). Há uma indigência de ideias, pobreza de atitudes e alheamento em relação à realidade.
 
Seguimos nesse Potiguar x Baraúnas, ABC x América, num tempo em que até ser bacurau ou bicudo, verde ou encarnado, ficou sem graça.
 
Nosso pastoril político repete a coreografia da dança do atraso, sem nada de novo e redentor.
 
E tudo pode piorar.