Cinema

Sobre o cineasta Milos Forman e sobre o filme ´Hair´

Jornalista e cinéfilo escreve de maneira pessoal sobre cineasta tcheco que faleceu neste fim de semana e sobre o filme dele que marcou sua vida.

Por: Cefas Carvalho
16/04/2018

Morreu aos 86 anos Milos Forman, gênio tcheco do cinema que deixou sua marca na Sétima Arte. Tanto pelos filmes cabeça dos anos 60 e 70, ainda em Praga, como "Baile dos bombeiros" e "Amores de uma loira" como pelos clássicos realizados em Hollywood como os premiados e eternos "Um estranho no ninho" e "Amadeus".
 
Mas, o filme dele que me marcou coração e mente, e de muita gente da minha geração, foi "Hair". Musical de 1979, tornado filme tardiamente baseado que foi no espetáculo lendário off Broadway do final dos anos 60, a saga hippie me afetou de maneira quase física quando o assisti pela primeira vez aos 15 anos em meados nos anos 80 em sessão na Band.
 
Depois revi o filme em VHS, até que o comprei. Terminei por decorar quase todas as canções e deixar o cabelo crescer graças ao filme. À época eu sonhava em ser o irreverente e ousado George Berger, mas tinha consciência que estava mais para o tímido e hesitante Claude Bukowski. Mais maduro, descobri que eu era simplesmente um misto dos dois, como até hoje sou.
 
Sempre agradeci a Forman por ter feito esse filme para mim, relação que tenho com outros cineastas e escritores e músicos. O tcheco depois entraria na minha vida novamente pelo Cinema, mas como ator. Interpretou a convite de Christophe Honoré o personagem Jaromil Passer do drama "Os bem amados (Les bien-aimés)", um dos meus filmes fetiches e que assisti 2.642 vezes, como par romântico de Catherine Deneuve e pai de Chiara Mastroianni.
 
"Hair" assisti igualmente pelo menos 40 vezes de 1986 para cá, e junto com a filha cinéfila Ananda Carvalho, a cena dos oficiais brancos e negros cantando "White boys/Black boys" devemos ter visto umas 548 vezes.
 
Ah, e a cena final ainda me deixa no chão.Sem ar.
 
Obrigado, Forman, por "Hair" e por tudo o mais. Fará falta por aqui.