Semana Santa: muito mais que chocolate

30/03/2018

Por: Maurílio Medeiros
Foto: Reprodução

De origem católica, a Semana Santa constitui-se a celebração da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo. Durante este período, os cristãos acreditam que o filho de Deus dirigiu-se a Jerusalém para comemorar a Páscoa com seus discípulos, dando origem, assim, à Santa Ceia, no Domingo de Ramos. Posteriormente, Cristo foi crucificado, ressuscitando, apenas, no Domingo de Páscoa. Todo esse processo representa o salvamento do mundo e, pois, revela-se uma data de demasiada importância para os seguidores da Bíblia.

Cronologia da Semana

Domingo de Ramos: a entrada triunfal

Segunda, terça e quarta-feira: Jesus ensina em Jerusalém

Quinta-feira: a última ceia

Sexta-feira Santa: a crucificação

Sábado: o túmulo é guardado

Domingo de Páscoa: a ressurreição

Mas quando tudo isso foi reduzido, apenas, a chocolates em formato oval? A Páscoa, hoje, parece resumir-se a comilança, coelhos e presentes. É difícil ver os praticantes da fé católica louvarem um dos momentos de maior relevância para o protagonista da Bíblia. Já encontrá-los em festas regadas a bacalhau, vinho e chocolates, facílimo. Diante desta realidade, indaga-se: Esta data seria, assim como as mais distintas celebrações religiosas, apenas um instrumento do capitalismo desenfreado?

O surgimento do símbolo máximo: o ovo de chocolate

A origem dos típicos ovos de chocolate é duvidosa. Na Antiguidade, o ovo simbolizava, para diversos povos, a fertilidade, o nascimento. Presentear amigos e familiares com ovos decorados e pintados era, portanto, muito comum. Após o início da comemoração do renascimento de Jesus, os adeptos de sua religião passaram a simbolizar este fato com os famosos ovos. Mas daí a serem esculpidos em chocolate, foram milênios. Somente foi popularizado mundialmente quando os franceses, em Pâtissiers, começaram a produzi-los e escondê-los em jardins, desafiando as crianças a os encontrarem. Depois disso, essa cultura popularizou-se, entre os séculos XVIII e XIX, quando iniciou-se a produção de ovos inteiramente de chocolate. Alguns estudiosos, no entanto, afirmam que essa tradição surgiu na Inglaterra, no século XIX, com a popularização da indústria do chocolate.

O verdadeiro sentido da Páscoa

O verdadeiro sentido da Páscoa foi reduzido a chocolate? Parece que sim. Para muitos ocidentais, esta data não celebra mais todo o sofrimento de Cristo até o salvamento do mundo. Os sacrifícios do filho de Deus foram reduzidos a ovos de chocolate (se vierem com um presente, melhor ainda). Usa-se destes dias não-úteis para cometer, pelo menos, dois dos 7 pecados capitais: gula e preguiça. Mas também, pudera, num feriado prolongado, com as mesas fartas e a inevitável promoção do consumismo desenfreado, o que se espera dos brasileiros, que abram mão de todas as mordomias e vão às igrejas? Assim como o Natal, este feriado cristão revela-se, apenas, um momento de oportunismo e exploração comerciais, tudo isso facilitado pela passividade da sociedade. Deve-se destinar esses poucos momentos não-laborais do ano à calmaria e à fé? É mais fácil ser hipócrita.