Fraude no transporte público do DF causou prejuízo de R$ 1 bi, diz Polícia Civil

15/03/2018

Por: Giselle Santos
Foto: Cesar Ogata/Secom

A Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) se uniram, na manhã desta quinta-feira (15), em uma megaoperação para desarmar um esquema de fraudes e desvio de recursos do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal) criado para controlar a circulação de passageiros do sistema de transporte público da capital federal. São cumpridos 38 mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, no DF, Paraíba e Pernambuco. Segundo a polícia, o prejuízo aos cofres públicos pode superar R$ 1 bilhão.

Os alvos da operação, batizada de Trickster, são servidores públicos, técnicos de informática e permissionários do sistema de transporte coletivo do DF. A Polícia Civil e o MPDFT suspeitam que o grupo usava empresas fictícias, sem CNPJ e registro na Receita Federal, para emitir créditos em cartões de vale-transporte destinados a funcionários fantasmas. Os desvios, que, suspeita-se, começaram em 2014, podem ter chegado a R$ 500 mil por semana.

Entre os presos estão o auditor fiscal Pedro Jorge Brasil e sua mulher, Hedvane Ferreira, que também tiveram as quebras dos sigilos bancário, fiscal e dos cartões de crédito autorizadas pelas Justiça. Funcionário da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), vinculada à Secretaria de Mobilidade do DF (Semob), Pedro Jorge já teve a prisão preventiva decretada pela Justiça em outubro do ano passado, no âmbito da Operação Check List, que revelou um esquema de fraude nas vistorias e cobrança de propinas para a liberação de ônibus sem condições de circular.

Divisão de tarefas

De acordo com a Polícia Civil do DF, o esquema era operado de forma ordenada, com clara divisão de tarefas. Enquanto um grupo era responsável por inserir as informações falsas no sistema do DFTrans, como dados das empresas e de supostos funcionários, por exemplo, outro validava a compra de créditos dos vales-transportes fraudulentos. Já um terceiro grupo se encarregava de descontar os créditos dos cartões, que eram transformados em dinheiro vivo por meio de ressarcimento pelo governo.

Os integrantes do esquema são investigados pelos crimes de associação criminosa, estelionato, peculato e inserção de dados falsos em sistema de informação. O DFTrans e a Semob ainda não se pronunciaram sobre o caso. As informações são da Agência Brasil.

Fonte: Congresso em Foco