Sobre as escolhas pela luta e liberdades

12/03/2018

Por: Verônica Batista
Foto: Arquivo pessoal
Fui formada na militância política da Pastoral da Juventude do Meio Popular. Sou de uma geração em que a formação dos adolescentes e jovens tinham a Teologia da Libertação como fundamento para analisar a realidade e nos dar instrumentos para intervenções claras do nosso meio. Mesmo sendo tão jovem me envolvi e ajudei a organizar atividades com jovens e com trabalhadores no Vale do Sabugi-PB, que marcaram a minha história de vida. Sou fruto de uma geração apaixonada pelos princípios cristãos que buscava com a ajuda de uma análise marxista,  as causas estruturais da desigualdade social que nos destrói enquanto seres humanos. E essa inquietação nunca consegui arrancar da minha vida.
 
Ingressei no curso de Pedagogia e descobri outra paixão que também fazia vibrar meu coração. Esse novo sentimento criado me tomou e se transformou num amor muitas vezes conflituoso, pois sempre acompanhei as angústia da não valorização do "ser professor" desde a minha avó, mas que foi alimentado pelo exemplo de Josefa Tereza de Araújo Medeiros que sempre lembro com muita saudade.
 
Gerações inteiras foram alfabetizadas por “Dona Zefa”, que foi uma das primeiras professoras da pequena cidade de São José do Sabugi na Paraíba. Ainda me lembro bem quando eu muito pequenina a acompanhava para vê-la dar aulas para adultos na minha Terra Natal. Sem se esquecer que nessa época eu também já era filha da professora Benedita de Medeiros Batista cuja  história também foi construída com seu esforço como boa educadora e que pude vivenciar de perto. Benedita tinha filhos para educar e mesmo assim trabalhava e a noite ainda ia para a faculdade na cidade de Patos-PB.
 
Enfim, eu poderia ter me apaixonado por qualquer outra profissão, mas o amor pelo processo de acolher o outro para juntos crescermos, abrirmos novos horizontes, termos novas perspectivas de vida e lutarmos por isso e que devo em grande parte ao aprendizado que obtive na Igreja, só reforçou minha escolha profissional.
 
Eu também me tornei Professora. A história da minha mãe se repetiu em minha vida. Muitos obstáculos poderiam me afastar do trabalho mas nunca desisti. Quando concluía a faculdade engravidei e fui constituir uma família. Tinha deixado pra trás a minha militância política com os jovens porque, assumi a responsabilidade de construir uma família e, porque já estava envolvida com a Educação.
 
Após esse período uma nova luta começou. Iniciei a militância de agregar companheiros que pudessem sonhar e lutar comigo por uma Educação Pública  de Qualidade, porque essa era e continua sendo uma política pública destinada aos mais pobres.
 
Nessa perspectiva, os princípios aprendidos durante a juventude e que estavam guardados em mim gritavam e me fizeram militar em defesa da Escola Pública. As circunstâncias familiares do casamento e as escolhas que fiz para minha vida me fizeram sair da minha terra. Quando ainda tínhamos o desejo de ver crescer nossos filhos juntos, escolhemos Parnamirim pra viver.
 
A minha história em Parnamirim começa em 2004, quando nas vezes que estive aqui fiz e passei num concurso público, e me tornei professora da Rede Municipal. Logo conheci o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Parnamirim - SINTSERP e nele me filiei por acreditar que, culturalmente toda e qualquer conquista nessa estrutura capitalista e desigual que temos só vem através de muita luta. E aqui ainda estou. Ajudei a engrossar o caldo que alimentava a luta dos trabalhadores representados pelo SINTSERP desde que escolhi Parnamirim pra viver.
 
Sou uma mulher sertaneja, lá do interior da Paraíba que hoje tenho em meu coração a cidade de Parnamirim como cidade que me acolheu. Um lugar que, mesmo quando nada mais me prendia em Parnamirim porque minha vida aqui se desfez, fiz a escolha de permanecer para criar meus  filhos.
 
Somos hoje Parnamirinenses de coração e sou feliz por isso. É aqui que vou viver e que verei meus filhos voarem. É aqui que reviverei apaixonadamente o desejo de lutar contra as desigualdades. É aqui que permanecerei lutando sempre para que cada trabalhador seja respeitado. Pois além de filiada do SINTSERP passei também a conduzir a entidade coordenando um colegiado de pessoas que como eu, acreditam que podemos lutar juntos por uma vida melhor.