Empreendedoras do RN comprovam a versatilidade do crochê

09/02/2018


Foto: Marco Polo Veras/A artesã Rosa Márcia há sete anos produz peças em crochê
O uso de uma agulha, linhas e muitas ideias. Pronto. Essa é a combinação perfeita para dar forma a objetos utilitários e artigos para vestir e decorar. A arte é antiga e se apresenta pelo nome de crochê, uma tipologia que tem atraído muitas artesãs potiguares e, principalmente, conquistado consumidores conscientes que não abrem mão do bom gosto e da exclusividade. Com o trançado, elas criam peças originais, que vão desde uma bolsa descolada a até cestinhas para animais de estimação. Tudo feito com muito talento e criatividade.
 
Faz apenas sete meses que Priscila Miranda percebeu que o crochê poderia ser uma excelente fonte de renda. Com a ajuda do Sebrae, el s e bandejas em madeira e os puffs todo em madeira e a capa de crochê. Hoje, já ampliamos um pouco com os cestos em fio de malha e os tapetes".
 
Agência SebraeAs peças em crochê com fio de malha têm diversas utilidadesAs peças em crochê com fio de malha têm diversas utilidadesA marca iniciou para ser uma atividade em que Priscila Miranda pudesse conciliar a vida de mãe e o trabalho em casa. "Monto meus horários. Trabalho uma média de cinco a seis horas por dias. Às vezes, é mais puxado, depende da quantidade de pedidos, mas consigo conciliar bem".
 
Os puffs são a obra artística da artesã. "Faço questão de montar cada peça para meus clientes, desenhar cada trama e elaborar cada detalhe. Sou apaixonada pelo crochê. É uma terapia e gratificante ver o resultado de cada trabalho, personalizado para cada cliente", conta Priscila Miranda.
 
A jornalista Sheyla Azevedo também é uma dessas que têm o talento para trançar o crochê. Desde os sete anos de idade aprendeu a fazer crochê, ensinada por uma tia, mas somente há pouco mais de um ano a arte virou sinônimo de empreendedorismo. Ela criou a empresa Bicho Esquisito Hob&Job para dar marca às peças feitas em crochê.
 
"Vi no crochê uma forma de criar, de ser criativa. Ele me ajudou a encarar os vazios profissionais que estava passando". Ela descobriu um movimento mundial de se trabalhar com o fio de malha, que é um resíduo da indústria têxtil e, por isso, carrega consigo o conceito de sustentabilidade, de menos degradação ao meio ambiente e menos emissões de carbono. E assim são produzidos bolsas, tapetes, pochetes, vasos, cachecóis e colares.
 
"As pessoas pensam que por ser um fio mais grosso o crochê é mais fácil, não é. Mas, no geral, acho muito gostoso de fazer. As peças únicas e feitas com exclusividade têm o seu charme", confessa. Para ela, a aquisição de peças com esse conceito ajuda a fugir do consumo exacerbado e entrar mais no chamado slow fashion. "Espero que esse movimento não seja apenas uma moda, mas uma forma de resgate das artesanias de seus pais, avós".
 
Elemento regional
 
Também a mesma habilidade, a artesã Silvia Dias aprendeu a fazer o crochê com a mãe quando tinha por volta de cinco anos em Portugal e profissionalmente começou fazendo peças para enxoval. Somente ao chegar ao Brasil, sua arte foi ganhando identidade e a artesã adotou o caju como ícone do seu trabalho. "O que ainda me encanta no crochê é que, com um novelo de linha e uma agulha, conseguimos fazer peças incríveis e de várias formas. Me dá orgulho pegar uma peça e dizer: olha no que se transformou!".
 
Atendida pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, ela se formalizou como Microempreendedor Individual (MEI) e passou a encarar a arte de fazer peças regionais em crochê como uma verdadeira profissão. "Usar o caju como um elemento de identidade regional vem da necessidade de vender. Precisamos fazer peças originais e criativas, mas também vendáveis", explica Silvia Dias, que atualmente produz os artigos em Caicó, onde reside.
 
A artesã Rosa Márcia também encara o crochê como uma arte que gera renda. Há sete anos, ela produz e vende, com o apoio do Sebrae, artigos para decoração, como tapetes, puffs, sousplats, cestos, cactus, chaveiros, vasinhos, terrários e pesos de porta.
 
Mas usa ainda o trançado para confeccionar vestidos e blusas por encomenda, além de bolsas em vários tipos e modelos. "Hoje, existe uma grande procura pelo que é feito à mão, inclusive como forma de personalizar na decoração", analisa.
 
Uma dedicação que exige de oito a 12 horas de trabalho por dia. "Algumas peças compensam essa dedicação e outras não, no entanto, pela questão do cliente valorizar o tempo gasto na execução, vale a pena".
 

Fonte: Assessoria Sebrae