Minha história em Parnamirim

01/02/2018

Por: Iranilda Albuquerque
Minha história em Parnamirim começa no início dos anos 80. 
 
Eu vim com meus pais da cidade de Acarí, no Seridó do RN para tentar a sorte numa cidade maior. Na época em que cheguei aqui, a cidade chamava-se Eduardo Gomes e lembro que chegamos lá no “retorno” (como era chamado o viaduto), e cheguei igualzinho como diz a letra da música cantada por Luiz Gonzaga, “Pau de Arara”. Fazendo uma comparação saudosista, literalmente, eu trazia uma mala, amarrada, e o cadeado era o nó. Só trazia a coragem e a cara.  
 
Eu, com exatos sete anos, moleca muito franzina, de tanto passar necessidades chegava deslumbrada com a “cidade grande”, amei essa cidade desde o primeiro instante.
 
Tive a pouca sorte de logo os meus pais se separarem e eu tive que ir morar com irmãos e trabalhar em casas de famílias, mas não deixei Parnamirim. Sempre procurei batalhar pela vida, aqui, com minhas próprias forças e condições.  
 
Desde menina meu sonho era ser uma artista. Cantar. Este sempre foi o meu sonho, desde criança. 
Fui à luta. Já com nove anos, improvisava roupas e figurinos, reunia turmas para fazer apresentações nas ruas, escolas, e principalmente, em comícios (na época eram permitidos shows) na cidade de Parnamirim. O importante para mim era mostrar meu talento. A minha melhor imitação na época era a da XUXA. Por isso que muitos até hoje ainda me conhecem como XUXINHA.  
 
Sempre entendi que para se crescer na vida o estudo era muito importante. Estudei em várias escolas públicas aqui de Parnamirim: Colégio Costa e Silva; Professora Enedina Nascimento e Presidente Roosevelt.  Mas confesso que na época o que eu mais desejava era estudar em uma escola particular. Àquela que funcionava dentro da Base Aérea era meu sonho de consumo. E mesmo com todas as dificuldades, eu tive a ajuda de muita gente boa, como o Finado Bandeira (Ex Prefeito), Antenor Neves (Ex Prefeito) e alguns outros políticos e professores, que por sinal, um dia, uma das professoras da época, e a me ver como artista ficou visivelmente emocionada quando reencontrou-me muitos anos depois.       
 
Hoje, realizada como a artista DEUSA DO FORRÓ e líder da Banda AS NORDESTINAS, vejo como a cidade cresceu e se desenvolveu, mas percebo que as autoridades públicas ainda precisam reconhecer melhor seus talentos, que levam o nome da cidade para a além das fronteiras. Como foi o caso, em 2010, quando fui à China com AS NORDESTINAS representar o Brasil, e consequentemente, Parnamirim, no Encontro de Cultura e Arte Popular, e a meu ver não ocorreu à merecida divulgação.  Nem antes, nem tampouco depois. 
 
Sempre tive muitos convites para morar e trabalhar fora do estado, e até do país, mas Parnamirim sempre foi o meu porto seguro, um lugar especial. Viajo bastante, conheço outros lugares e países, mas não tem como essa minha cidade. Quando viajo, fico sempre muito aflita para voltar, e somente quando avisto aquele “velho retorno”, hoje um viaduto, é que fico aliviada de estar em casa.
 
Enfim. Costumo dizer que adotei Parnamirim, mas ainda sonho, em ser reconhecida como cidadã Parnamirinense.