Natal

2018: mais um ano sem perspectivas, a menos que...

Engenheiro mecânico, funcionário público federal e editor de publicações analisa criticamente tanto o ano que se encerra como o que virá.

Por: José Correia Torres Neto
08/12/2017

Dois mil e dezessete foi um ano de muitas perdas: perderam-se as panelas que ecoavam as mudanças (quais mudanças mesmo?); perderam-se as estribeiras e a vergonha na cara (nesse caso, apenas parte dos políticos brasileiros); perderam-se os direitos (nesse caso, nós, trabalhadores); perdemos Rogéria, o Negro Gato e Bel; perdemos a certeza de que seríamos um país melhor e fomos ameaçados de perder a liberdade de ver o nu artístico; perdemos o ir e vir em nossa cidade; perdemos o nosso tempo ouvindo as balelas das propagandas políticas; vimos o erário se perder em conchavos e acordos secretos; perdemos e continuamos a perder as nossas crianças para o crime e a sociedade continua a perder o professor, o médico, o policial; a educação e a pesquisa perderam recurso; os projetos sociais minguaram e lá se vai uma lista do que caiu ao longo desse ano.
 
Mas, entrecortando a lama e o lixo, algumas personas apontam meia dúzia de ganhos nesse ano: dizem que ganhamos emprego; ganhamos nas reformas e na redução dos índices inflacionários; alguns ganharam na benevolência e nos perdões das suas dívidas (menos eu e outros tantos...); uns ganharam propinas em milhões e outros apenas em milhares; as celas perderam detentos, mas ganharam ex-deputados, ex-governadores, ex-ministros; vereador perdeu cargo; senadores e deputados esnobaram  os magistrados (e estão a postos para esnobarem ainda mais); percebemos que por baixo de algumas togas se escondem vermes; ganhamos a ridícula e cretina dancinha e observem que ainda tem o mês de dezembro pela frente para poder se ganhar algo mais.
 
E o que esperar para dois mil e dezoito, além de mais dúvidas? Arrisco em esperar ainda muitas perdas e pouquíssimos ganhos. Gostaria muito que perdêssemos esse autoritarismo e esse fascismo que toma conta de alguns medíocres; perdêssemos os altos índices de feminicídio, dos crimes de homofobia e de intolerância religiosa; perdêssemos os políticos que prezam pela corrupção, pelo peculato, pela concussão, pela corrupção ativa e passiva, pela prevaricação; perdêssemos o analfabetismo, os desastres ecológicos; perdêssemos o medo de mudar, de ser feliz, de dizer o “não” e o “sim” na hora certa; parássemos de temer as sombras e os sombrios.
 
Não é certo que os ganhos de 2018 venham a compensar, de forma alguma, todas as nossas desilusões, mas seria um bom recomeço. Não se admite mais nivelar a sociedade por baixo, retirar direitos adquiridos, vitimizar o criminoso, catequizar/doutrinar o estado laico, retalhar o país do sertão ao litoral por caprichos pessoais.
 
Acredito que as dificuldades venham a aumentar, mas que as soluções para os problemas estejam bem próximas. Precisamos ganhar (e levar) a justiça social, o respeito humano, a moralidade política, a educação de qualidade em todos os níveis, o saneamento básico, um programa de governo sério e que respeite o povo brasileiro sem distinção, segurança, hospitais, desenvolvimento econômico e tantas outras coisas que já não existem mais entre nós.
 
Está muito difícil vivenciar a bancarrota brasileira em que as aberrações morais e éticas afloram a cada instante, em que os pensamentos medíocres tentam colocar a sociedade contra a própria sociedade, em que a mentira e o cinismo são priorizados na pauta dos principais e ilegítimos líderes.
 
Por fim, precisamos tomar todas essas insanidades como reais motivos para a mudança que arfa e que implora ser instaurada em nossos dias. E que o equilíbrio, a educação, a segurança, a saúde e os bons homens e mulheres retornem.