Opinião

Do realismo esperançoso e do que vem por aí...

O portal de notícias do Rio Grande do Norte está perguntando a personalidades de diversos segmentos do Estado e do Brasil sobre o que vem por aí.

Por: José Pinto Junior
05/12/2017

O portal de notícias do Rio Grande do Norte está perguntando a personalidades de diversos segmentos do Estado e do Brasil sobre o que vem por aí. Como será o ano de 2018 na economia, na política e na cultura? Vivemos uma tempestade perfeita. Uma soma de crises torna o momento muito difícil. Soma-se ao mesmo tempo: crise econômica, crise política, crise hídrica, crise no judiciário, crise moral, crise ética e outras tantas crises. Neste momento, o Potiguar Notícias deseja veicular textos de pessoas de mentes privilegiadas para registrar os principais gargalos e as principais saídas para a crise, ou para as crises. Decidimos então, convidar personalidades de diversos segmentos e de distintas correntes ideológicas a produzirem textos, que estarão no Potiguar Notícias, à disposição dos leitores e das leitoras potiguares e brasileiros. Que os artistas sejam as antenas para novas luzes. Que os intelectuais e os empreendedores apontem saídas para o desenvolvimento para a inclusão. 

O momento de crise é também de intolerância. Intolerância ao jeito de ser e de pensar dos diferentes. Há intolerância e violência em relação às pessoas que praticam religiões afros. Discriminação pela condição social. Brigas político-partidárias irracionais. Sai o Coxinha contra Mortadela e entram em guerra os querem intervenção militar e os que querem democracia. Neste caso, é bom lembrar o ensinamento do governante inglês, Winston Churchill, "A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela". Neste quesito, segundo as pesquisas amplamente divulgadas, mais de noventa por cento dos brasileiros querem mudança. Mas é bom ficar atento. Como escreveu o filosofo Mario Sérgio Cortella, mudança também pode ser para pior. Alguém que está saudável e ficou doente passou por uma mudança. O contrário também ocorre. Logo na hora do voto é importante fazer a mudança não somente em relação ao presidente, mas também em relação a composição do Congresso Nacional. Depois não adianta reclamar "dos políticos" e esquecer de cobrar do representante escolhido. 

Diante de tantos gargalos, a pergunta que não quer calar: Qual a saída? Me posiciono diferente de muitos amigos que indicam o aeroporto como saída. Quem não admite a fuga, precisa se dispor a oferecer sua contribuição, por menor que seja, para que o amanhã seja melhor do que o hoje. Neste sentido, gosto muito da opção oferecida pelo pensador nascido na Paraíba e que viveu quase toda a sua vida em Pernambuco. Diferentes de muitos que acham o Nordeste um problema, digo que o pensamento do professor e escritor Ariano Suassuna, sugere um caminho. Uma solução. Este caminho aponta o enfrentamento da realidade com um olhar de esperança e de ação: "O otimista é um tolo. O pessimista um chato. Bom mesmo é ser realista esperançoso".  Quem não quer fugir do Nordeste e do Brasil, precisa ser realista esperançoso. Saber que a vida não se traduz em dias ensolarados. Há tempestades.  Mas, este fato não precisa ser motivo de desesperança. Na verdade, é motivo para pelejar. Insistir. Construir. Se modelar. Evoluir. Levantar a cabeça. Focar. Chorar e sorrir. Vencer! Pode ser duro, mas muito melhor que ser tolo ou chato. Ainda cabe uma pergunta. Será que ser estrangeiro distante de nossa cultura é o melhor dos lugares? 

O também é nordestino, professor Paulo Freire, que contribuiu com teorias e diversos livros para o pensamento da humanidade, pode ser luz nestes tempos de argueiros e travas em nossos olhos. Para o professor é preciso esperançar para que exista qualquer tipo de mudança. A mudança não acontece apenas esperando. Acontece quando se faz por onde. Quando se busca tal acontecimento.  "Esperançar é se levantar, é construir, é não desistir".  Logo diferente de: apenas esperar, apenas sonhar, apenas fugir. Esperançar é movimento. A vida é movimento. Algo como andar de bicicleta, para chegar ao destino é preciso pedalar o tempo todo e manter o equilíbrio para não derrapar, para não cair. Mas, não se consegue se cochilar. Não se consegue se reclamar da ladeira na hora de subir e não elogiar na hora da descida. 

No campo empresarial, é preciso saber se existe uma forma de avanço em relação aos projetos relativos à energia eólica e energia solar no Rio Grande do Norte. Há uma forma em que se produza mais empregos no setor? . Há uma maneira em que nossa gente possa usufruir mais que o "aluguel" do terreno para instalação do aerogerador? Quem são os empresários que tocam estes projetos e qual o planejamento para a sociedade potiguar seja contemplada com a evolução das energias limpas no RN? Qual o papel estratégico do Estado?  Quais projetos são estratégicos para ampliar o destino de turistas e de investimentos no segmento?  Quais os planos para que a fruticultura não apenas exportada como sai do roçado, mas que em seu entorno se construa uma indústria que agregue valor? 

Vivemos anos ruins para quem deseja trabalhar, para quem deseja empreender e para quem deseja fazer política de forma limpa. Para quem vive de arte e para a arte. Deste espaço fica registrada a teimosia do Potiguar Notícias. Todos os dias esperançando. Respondendo os desafios impostos pela crise com dedicação ao trabalho. Com paixão pelo jornalismo e pelo Rio Grande do Norte. Esperançando. Com orgulho de ser brasileiro e principalmente nordestino.  Agarrado no realismo esperançoso. Muito agradecido aos amigos que se dispuseram com alegria refletiram e escreveram sobre: O que vem por aí...