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Supremo deve divulgar nesta sexta conteúdo das delações dos donos da JBS

Sigilo dos documentos, incluindo vídeos e fotos, já foi retirado pelo ministro Fachin. Informações fornecidas resultaram em movimento pelo impeachment de Temer; STF afastou Aécio do Senado.


19/05/2017

Foto: G1
O Supremo Tribunal Federal deverá divulgar nesta sexta-feira (19) o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, no âmbito da Operação Lava Jato.
 
As delações já foram homologadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, e o sigilo do conteúdo das informações, retirado.
 
Desde a última quarta (17), quando o jornal "O Globo" noticiou pela primeira vez o que os irmãos Batista haviam informado aos investigadores, os impactos no mundo político têm sido os mais diversos.
 
No Congresso Nacional, por exemplo, surgiu o movimento a favor do impeachment do presidente Michel Temer, liderado pela oposição. Além disso, Aécio Neves (PSDB-MG) foi afastado do mandato de senador por determinação do STF (entenda mais abaixo).
 
Um dos principais pontos das delações dos donos da JBS revelado até agora é a gravação de uma conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-presidência, em março deste ano.
 
Segundo o jornal "O Globo", Joesley informou aos investigadores que, nessa conversa, ele e Temer discutiram a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato, com o objetivo de evitar que ele fizesse delação.
 
Trecho de áudio de gravação da delação da JBS: "Tem que manter isso, viu?", diz Temer.
 
Após "O Globo" veicular a reportagem, ainda na quarta, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou uma nota à imprensa na qual confirmou que Temer havia se encontrado com Joesley Batista, mas negou que os dois tivessem conversado sobre como evitar uma eventual delação de Eduardo Cunha.
 
Nesta quinta, foi a vez de o próprio presidente falar sobre o assunto. Temer fez um pronunciamento no Palácio do Planalto no qual disse, entre outras coisas, que não pediu a Joesley que ajudasse Cunha, não comprou o silêncio de ninguém e não teme delação, concluindo: "Não renunciarei. Repito: não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos."

Fonte: G1