Opinião

Temer foi "rifado" pela grande imprensa nesta quarta; Qual o próximo "eleito"?

Jornalista analisa aspectos gerais do escândalo que envolveu Michel Temer, os impactos deste fato sobre a política e a possibilidade da Grande Imprensa apoiar João Dória para competir com Lula em 2018.

Por: Cefas Carvalho
17/05/2017

Foto: João Donato

Quem me lê, acompanha meus posts e textos sabe que tenho um pacto comigo mesmo e com os leitores. De não postar (nem me fiar por) notícias de blogs esquerdistas ou progressistas. Leio diariamente, gosto deles, mas, postar notícias deles me parece passar um ótica parcial, de torcida mesmo, coisa que me esforço para não fazer. Às vezes consigo, outras vezes não.

Dito isso, para fazer uma avaliação sobre a bomba política que estourou com a gravação dos donos do aval de Michel Temer para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, já em posse do STF, me guiei exclusivamente pela mídia que odeia o PT e celebra Temer. Globonews, G1, UOL e etcs.

A forma e o conteúdo das notícias parecem claros: vão rifar Michel Temer.

Não que agora esses veículos estejam fazendo jornalismo sério. Nada disso. Mas, o fato de não se negarem a repercutir o inferno astral repentino de Temer (e de Aécio, envolvido em outro escândalo) mostra que a grande mídia não consegue mais "segurar" um presidente com 5% de aprovação.
Bolsonaro é um idiota brucutu de dois neurônios, não se tem diálogo com ele.

Dória deve ser o "eleito" pela mídia.

Devemos, portanto, esperar a mesma mídia jogar o já queimado Aécio e depois Alckmin aos leões.
Dória para enfrentar Lula? Talvez.

Mas, a preço da noite desta quarta-feira, é que Temer não termina sequer esse ano de 2017 como presidente, que dirá 2018.

A MÃO QUE AFAGA É A MESMA QUE APEDREJA

Só para registrar: em 17 de abril de 2016, Eduardo Cunha, presidente da Câmara se mostrava como o homem mais poderoso do Brasil ao comandar na Casa o impeachment de Dilma (que foi para o Senado) por 367 contra 137 contrários.

Cinco meses depois, em 12 de setembro de 2016 o mesmo Cunha, "rifado" por mídia, PMDB e mundo político, teve o mandato cassado Por 450 votos a 10.

Já vaticinou Augusto dos Anjos: A mão que afaga é a mesma que apedreja.