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Impeachment e pedido de investigação pelo Ministério Público: O futuro de Temer

Pedido de impeachment do presidente foi protocolado pelo líder da Rede, deputado Alessandro Molon. Veja o que pode acontecer com o presidente a partir de agora.


17/05/2017

Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Poucas horas após a divulgação da informação de que o presidente Michel Temer (PMDB) foi gravado em diálogo com empresário Joesley Batista, da JBS, dando aval para compra do silêncio do ex-deputado e correligionário Eduardo Cunha, deputados da oposição pediram o impeachment do mandatário.

Diante da denúncia, líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ) protocolou na Câmara um pedido de impeachment contra o peemedebista com o argumento de que houve crime de improbidade administrativa.

Mesmo citado por delatores na Lava Jato, não havia pedido de investigação contra o presidente por causa da "imunidade temporária", que impede que o mandatário seja investigado por crimes que não decorrem do exercício do mandato. Tal instrumento jurídico, entretanto, não se figura nesta situação. Com isso, o presidente está passível de um pedido de investigação do Ministério Público Federal.

Diferentemente das citações, este caso ocorreu com Temer já no exercício no mandato. A gravação é de março deste ano. Em nota, Temer confirmou que encontrou com o empresário, mas negou conduta irregular. "O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha", diz trecho da nota.

Joesley e o irmão Wesley entregaram ao STF gravações nas quais mostram o presidente dando aval para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação é exclusiva do jornal O Globo.

"Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 'Tem que manter isso, viu?'", diz trecho da reportagem.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro, segundo o empresário, foi depositado em uma empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Leia a íntegra da nota da Temer:

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

Fonte: Grasielle Castro/Editora de estratégias e tendências, HuffPost Brasil