Opinião

Cenário sombrio na Terra Brazilis, mas, muitos acreditam que "Deus é brasileiro"

Professor universitário e presidente do ADURN-Sindicato analisa em texto exclusivo para o Portal PN as expectativas e realidades para este ano de 2017.

Por: Wellington Duarte
15/03/2017

Foto: Jana Sá

Entramos no terceiro mês do ano do Galo de Fogo, segundo o horóscopo chinês, país que crescerá 6,5% esse ano e que hoje representa uma nação cujo Estado tem um projeto nacional desenvolvimento, algo estranho às terras agora governadas, sob força de um Golpe de Estado,  por uma coalizão das forças sociais mais reacionárias que este país, outrora Brasil, gerou ao longo da sua história, e ajudadas por uma miríade de agentes públicos que optaram por atuar como agentes da destruição dentro do aparelho estatal.

Na Pindorama dos que tomaram o poder, a Terra Brazilis, aos poucos, irá (verbo no futuro) ajustar-se à uma realidade sombria : o Estado deixou de ter função social. Pode-se fazer todas as piruetas teóricas possíveis para negar tal mudança de paradigma desse antes esperançoso país, mas a realidade nua e crua é a de que a camarilha que tomou o poder esquarteja o Estado em pequenos e grandes nachos, e o entrega, sem muita desfaçatez ao Deus-Mercado, sequioso por abocanhar espaços sobejamente desejados, como o petróleo, a educação e a saúde.

Os indicadores econômicos mostram um país que entrou numa crise em 2013, derivada da crise de 2009 que varreu, e varre o mundo, possibilitando o renascimento dos movimentos que deveriam ter sido lançados no lixo da história e que agora, renovados pelo impasse do sistema capitalista, renasceram com a força bestial de sempre. Os fascistas mundo afora, com nova roupagem é verdade, apresentam soluções dignas dos senhores feudais diante da Peste Negra : encastelamento. O nacionalismo xenófobo, acrescentado do machismo e da homofobia fez adeptos por todo o planeta e, diante do impasse da nossa economia, chegou ao Brasil.

Na Terra Brazilis temos hoje um ajuntamento de pessoas que discursam em nome do futuro e agem para voltar ao passado, no poder, servindo-se do aparelho estatal para dilapida-lo; defendendo o aniquilamento das políticas sociais para “recuperar” a credibilidade diante do mercado financeiro”; apontando para o fim do federalismo via chantagem fiscal com os estados.

O impasse político, trazido pela falta de um projeto nacional no campo majoritário que governou esse país, sob forma de coalizão, desde 2003, empurrou a presidenta deposta para que a mesma recorresse à tradicional política econômica anticíclica que rapidamente esgotou-se por decisões equivocadas, como a de segurar os preços administrados do petróleo e energia exatamente para evitar algo inerente ao capitalismo: a inflação.

Até o mais borracho frequentador do Beco da Lama sabe que Dilma foi deposta por não ter conseguido acomodar o fisiologismo tresloucado dessa elite patrimonialista, espalhada pelos partidos, mas concentrada no PMDB, PSDB e DEM  e as filigranas jurídicas deram o ar constitucional à barafunda instalada nesse país a partir de maio do ano passado.

O ano de 2017, portanto, apresenta-se com um cenário sombrio, mas como muitos ainda acreditam na tese de que “Deus é brasileiro”, vamos aguardar.