Opinião

Expectativas nada boas para os trabalhadores e a crise será paga pelo povo

Diretor Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Judiciário do RN (SINDJUSTIÇA), Gersonilson Martins, escreve para a série Perspectivas 2017 do Portal PN sobre o que pensa.

Por: Gersonilson Martins
24/01/2017

Foto: Tiago Rebolo
Infelizmente, não são boas as perspectivas para os trabalhadores brasileiros, quer sejam da iniciativa privada ou do setor público. Os ataques partem dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Mais uma vez a conta da crise será paga pelo povo. Uma crise fruto da incompetência e corrupção destes governos. 
 
As reformas neoliberais patrocinadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, ameaçam seriamente conquistas importantes obtidas nas últimas décadas. É o caso, por exemplo, da CLT, onde se cogita jornada de trabalho de 12 horas, e o primado do negociado sobre o legislado, entre outros absurdos.
 
Depois da aprovação da PEC 55, ou PEC da Morte, como ficou conhecida, que congelam investimentos na saúde e educação pelos próximos 20 anos, condenando toda uma geração de brasileiros, o governo se volta para impor uma impiedosa reforma da previdência. 
 
Outra séria ameaça é o projeto de terceirização, que, se aprovado, empurrará milhões de trabalhadores para empregos precarizados e de baixas remunerações. 
 
Analisando a conjuntura de formas fria e objetiva, pelo que vimos até agora, só a saída de Michel Temer da presidência, impedirá perdas ainda maiores para os trabalhadores. Com apoios do Congresso mais corrompido e do Judiciário mais partidarizado da história o Governo aprovará tudo o que quiser. 
 
Foi o que constatamos em 2016. Não faltaram mobilização e resistência dos trabalhadores, através de suas centrais e sindicatos. O SindJustiça mesmo participou de várias manifestações em Natal e Brasília. No entanto, o governo aprovou todas as medidas que enviou ao Congresso. 
 
Trazendo a avaliação para o âmbito estadual, os trabalhadores e trabalhadoras do judiciário potiguar também não têm o que comemorar. 2015 e 2016 foram os piores anos da história para os servidores.
 
Nesse período, além de não termos conseguido nenhum ganho, ainda tivemos direitos usurpados e salários reduzidos. As perdas salariais da categoria, segundo o Dieese, ultrapassam os 50 por cento.  
 
Se não bastasse o arrocho, os servidores também enfrentaram a fúria persecutória do 
Desembargador Cláudio Santos, que presidiu a corte em 2015 e 2016. Voltado em tempo integral para usar o cargo como vitrine, com vistas à uma pretensa carreira política, Santos entregou a seu sucessor um judiciário sucateado e funcionários desmotivados.
 
O resumo da “gestão” autoritária e desumana de Santos pode ser melhor aquilatada após a divulgação do “Selo Justiça em Números”, do CNJ. Em apenas dois anos ele levou o Tribunal a cair do “Selo Diamante” para o “Selo Bronze”, atestando de forma cabal o fracasso de sua passagem pela presidência. 
 
Graças a Deus, Cláudio Santos é página virada. E o novo presidente do TJRN, Des. Expedito Ferreira, magistrado de carreira (ao contrário de Santos, que se tornou magistrado por uma ficção jurídica), assumiu com um discurso completamente diferente, sinalizando com diálogo, parceria e prometendo valorizar os servidores.
 
Estamos confiantes de que um novo tempo está começando no TJRN. Já tivemos uma primeira reunião com o Desembargador Expedito Ferreira e sua equipe, e saímos confiantes de que dias melhores virão.