Opinião

Frente Brasil Popular: Desafio de ser um polo aglutinador

O autor é jornalista, vice-presidente do PCdoB/Natal e militante da Frente Brasil Popular. Escreve neste espaço sobre suas expectativas em relação à política.

Por: Jan Varela
18/01/2017

Foto: Arquivo pessoal

O Golpe parlamentar que destituiu a Presidenta Dilma do governo empurrou o Brasil para um impasse. Está conflagrada uma crise institucional que só será superada com o restabelecimento da democracia e é urgentemente necessária a convocação de eleições diretas para presidente da República para devolver ao povo a soberania do voto e o direito de escolher que Programa de Governo ele deseja para comandar o país.

A propaganda pró-impeachment prometeu que o “governo” Temer retomaria o crescimento econômico. Ao contrário, temos 6 meses de governo golpista e ilegítimo, não voltou à normalidade política, não acabou com a crise econômica, o desemprego e a recessão crescem, governos estaduais falidos, desemprego em 11,8%, produção industrial caiu 6% em 2016, investimentos 3,1% menor que 2015, convulsão social, crise no sistema penitenciário, escândalos sucessivos em que sócios do golpe são desmascarados e jogados na geladeira dos noticiários, já que não servem mais ao propósito da tomada de poder.

Temer é um “sócio-refém” do consócio golpista formado pelos sistemas financeiro, midiático e jurídico, amparados por uma base social de direita e extrema-direita inflamada pela mídia corporativa que voltou a encher seus cofres com verba publicitária.

O Consórcio golpista trabalha diuturnamente por uma saída, pois sabem que Temer “O Ilegítimo” não tem condições de conduzir o governo até 2018. Com a virada do ano, trabalham por uma eleição indireta pelo Congresso Nacional, onde figuras sombrias como José Serra, ou da jogatina financeira como Henrique Meireles, poderiam ser alçados a cadeira da Presidência da República, se viabilizando para 2018. Mas essa solução esbarra nos conflitos internos dos assaltantes da democracia, que temem serem alijados do poder e jogados nas mãos dos inquisidores Janot, Moro e Dallagnol, demonstrando muita contradição no templo golpista. Temer cairá ou terminará seu “governo” como Sarney, de crise em crise?

O golpe tem um programa claro: implantar uma nova ordem conservadora neoliberal, eliminar as conquistas sociais da constituinte de 1988, que pelo o voto direto o povo brasileiro não aceitaria, realinhar o Brasil às potências Europeias e aos EUA, nos interesses geopolíticos desses. A conhecida PEC do teto dos gastos institucionaliza a reserva 45% do orçamento federal para o pagamento de juros da divida pública; o reajuste recente do salário mínimo abaixo da inflação apresenta a nova fórmula que desmonta a política de valorização salarial, que redistribui riqueza produzida; a proposta de reforma trabalhista, com o desmonte da CLT, com o negociado sobre o legislado e ampliação da jornada de trabalho para 12 horas diárias, e uma reforma da previdência com aposentadoria de 65 anos apresentam o que os golpistas pensam a respeito do povo trabalhador.

A Petrobras anunciou no início do ano a retomada da obra do Polo Petroquímico do Rio de Janeiro, mas surpreendentemente, excluiu todas as empresas brasileiras da concorrência. Além mais, vendeu ano passado sua participação (66%) no campo de Carcará para a estatal norueguesa Statoil e entregou a Liquigás (subsidiária) pra Ultragás, do grupo Ultra, ligado ao banco Itaú.

Um pólo democrático cresce com a resistência das “ruas” através da bandeira do Fora Temer, a defesa da democracia, dos direitos sociais, do resgate da soberania popular e do Diretas Já para Presidente.

Na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nos governos estaduais e municipais, nos movimentos sociais, principalmente entre a juventude, através das entidades, os movimentos por direitos civis, LGBT, movimentos feministas, progressistas voltaram a ocupar as ruas por Diretas Já.

O movimento sindical trabalha incansavelmente. A CUT e a CTB, que são mãe e pai da Frente Brasil Popular, juntos com os Trabalhadores Rurais Sem Terra, intelectuais, religiosos, artistas, parlamentares e governantes, movimentos populares, partidos políticos, pastorais, LGBT, negros e negras, vem trabalhando para transformar a Frente Brasil Popular num polo aglutinador, partindo da unidade das forças de esquerda, em torno da defesa do estado democrático de direito, contra a retirada de direitos sociais, da defesa da produção e do trabalho em defesa do desenvolvimento econômico, ampliando a unidade dos movimentos sociais com setores democráticos, patrióticos e populares.

A Frente Brasil Popular deve disputar o centro político na sociedade e nas instituições como o parlamento e os governos, juntos contra a criminalização da política, pela valorização e responsabilidade dos partidos na democracia; ocupar as ruas permanentemente, e construir uma agenda junto com os movimentos populares e sociais nas empresas, fábricas, escolas, bairros, nos ambientes da juventude, apresentando para todos a necessidade urgente das Diretas Já para Presidente.

A Frente, tem seu programa definido (www.frentebrasilpopular.org.br) e com ele deve buscar sua ampliação, tendo como bandeira a defesa da democracia, entendendo sua condição de frente e não partido, formada por movimentos, entidades, partidos e até mesmo personalidades.

A Frente Brasil Popular deve se transformar numa referência política e para isso precisa envolver mais pessoas, promover debates, seminários, elaborar um programa que publicize o consenso e respeite a divergência das organizações que a compõe, formatando uma unidade de ação, construindo uma frente ampla com núcleo de esquerda empunhando a bandeira das Diretas para presidente, alinhado com um Projeto Nacional de Desenvolvimento.